Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 63 Como a Modec enfrentou o hiato de contratações do mer- cado de FPSOs, vivido no período de maior aperto da crise? O nosso crescimento no Brasil nos últimos 15 anos se deu, principalmente, pelos afretamentos com a Pe- trobras, com contratos de longo prazo, hoje em dia com mais de 20 anos de duração. Esse modelo permi- tiu que passássemos bem pela crise. Por outro lado, ti- vemos um período sem novos projetos, e estávamos acostumados a ter pelo menos um novo contrato por ano, por mais de dez anos. Passamos por um período em que realmente não crescemos na velocidade que ví- nhamos crescendo, mas, felizmente, com os contratos vigentes, conseguimos manter a empresa em uma es- tabilidade, diferentemente de outros mercados como o de Drilling, onde empresas desapareceram. Omercado de FPSOs foi o primeiro a se reerguer após o perí- odo de jejume temhoje excelente perspectivas de novas contra- tações. Qual a sua avaliação do momento no Brasil e no mundo? O FPSO se transformou numa solução central. Há 30 anos, os FPSOs eram usados só para antecipação da produção, mas, em virtude do contexto tecnológico de águas cada vez mais profundas e longe da costa, eles se transformaram em um produto chave para o desenvol- vimento da produção das empresas. Tem um potencial gigante para os próximos anos. Nossa expectativa, com base em dados de mercado, são de que teremos mais de 60 FPSOs licitados no mundo nos próximos cinco anos. Tem uma grande perspectiva, uma grande demanda… metade disso é Brasil e Oeste da África, sendo 30% a 40% no Brasil. Então, para nós, o Brasil é o passado, o presente e o futuro da nossa empresa. Novas operado- ras entraram com muita força nas últimas rodadas da ANP, como a ExxonMobil. Além disso, projetos antigos começam a se materializar, como Carcará e Pão de Açú- car, com a Equinor, e Gato do Mato, com a Shell. A frota da Modec é muito concentrada na Petrobras. Quais os prós e contras disso? Existe intenção de buscar uma diversificação maior? APetrobras éumclienteque respeitamos eque seencaixou muito bemcoma nossa forma de trabalhar. Temos três negó- cios : operação–e,por isso,temoshojemaisde2.300 funcioná- rios no Brasil de um total de 4.400 nomundo –, construção e INTERESSE EM TODAS AS MODALIDADES Dona de uma frota de 14 unidades somente no Brasil – onde estão 70% de seus ativos – a Modec assegurou, com o recente contrato de Búzios V, o título de primeira empresa a operar um FPSO afretado na cessão onerosa. Felipe Baldissera, gerente comercial da Modec Brasil, recebeu à Brasil Energia para conversar sobre os planos da empresa e o aquecimento do mercado de FPSOs, entre outros temas. Segundo o executivo, a empresa não tem um porte específico de unidade no radar, embora reconheça a preferência por FPSOs maiores. POR CLÁUDIA SIQUEIRA

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