Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

ENTREVISTA Felipe Baldissera 64 Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 afretamentodas embarcações.Temosumaestruturadeparcei- ros japoneses muito robusta, com a Mitsui & Company, Ma- rubeni e MOL, e, além disso, uma estrutura de financiamen- to muito forte, com bancos comerciais de todo mundo, espe- cialmente os japoneses e o JBIC (banco de fomento japonês). Nossa expectativa é seguir crescendoe comaPetrobras.Éclaro que buscamos diversificar mercados em relação a país e clien- te. Então, obviamente, vamos olhar para outras oportunida- des.Sempre falamos sobreos gargalos paraocrescimento.Um dos pontos é a capacidadede financiamento,que estámuito li- gada ao nível de exposição que os bancos podem assumir em um país ou com um cliente, portanto existe um limite para o Brasil e a Petrobras. Todos têm um limite de exposição. Hoje, estamospensando,inclusive,emalternativasde financiamento aomodelopadrãode project finance. E quais seriam essas outras formas de financiamento? Uma alternativa seria o lançamento de project bon- ds ou buscar financiamento atrelado a agências governa- mentais de fomento, em função da aquisição de conteú- do locais. O ponto chave é que é preciso pensar, e estamos pensando formas alternativas de financiar os projetos. E esse limite de financiamento está próximo? Não há um número chave que se possa estimar. Isso é vivo, há a percepção macroeconômica, a visão do Bra- sil, o rating do Brasil e da Petrobras. É completamente dinâmico. A cada dia nós estamos quitando parte dos financiamentos, então os bancos estão diariamente re- duzindo essa exposição. São diversas variáveis. Confirmando o contrato deMarlim, aModec terá quatro obras em curso para o Brasil e mais uma para o México, sendo que já está confirmado o lançamento dos editais de Mero 3, Itapu e Sergipe-Alagoas ainda em2019 e deMero 4 em 2020. Qual o limite de execução da Modec por ano? O futuro que você mostra é até parecido com o que aconteceu recentemente, quando havia Mero 2, Búzios V, Marlim 1 e 2 e Parque das Baleias. Isso depende muito da fase das construções. Por exemplo, no início de um proje- to há grande intensidade de uso de engenharia, portanto as equipes de engenharia e de compras ficam muito ocu- padas. Já chegamos a construir, em diferentes estágios, sete projetos aomesmo tempo. Nas licitações recentes da Petro- bras, oferecemos propostas para BúziosV,Mero 2 eMarlim, mas não oferecemos para o Parque das Baleias. Foi a nossa avaliação daquele momento, considerando os projetos que estavam sob contrato e da nossa fotografia de capacidade. Vindo esses projetos novos, faremos a mesma coisa. Existe outro aspecto que precisa ser considerado nes- sa avaliação? Omercado fala muito de capacidade de construção e es- taleiros, mas existem outras questões como a capacidade de formar mão de obra para operar os navios. Só para BúziosV precisaremos de mais 200 pessoas. Temos que investir e for- mar pessoas para podermos manter esse crescimento. Esse é o retrato da Modec. E o mercado está preparado para atender a essa grande demanda? Existem diversos modelos de contratação e o pico his- tórico do mercado nos últimos dez anos foi de aproxima- damente 12 unidades por ano. O desenvolvimento da To- tal na África, por exemplo, foi muito focado em EPCI (NR - em inglês, Engineering Procurement Construction and Ins- tallation) . Os projetos vão ser executados. A nossa indús- tria tem limites,mas não vejo dificuldade. Existem também empresas interessadas em entrar nesse mercado aquecido. Há barreiras como capacidade de financiamento, mas não vejo que o FPSO seja um gargalo da indústria do petróleo. Qual será a estratégia de construção do FPSO de Búzios V? Seguirá o modelo das últimas obras? Tende a ser uma combinação, otimizando tempo de obra e custo, de ummix de construção na Ásia e contra- tação de parte dos recursos para construção do navio no Brasil. Ainda não escolhemos o estaleiro na China. Como a Modec vê a questão do conteúdo local? Acho que às vezes há uma simplificação do assunto, com foco muito grande na questão de integração de mó- dulos. “Quantos módulos serão integrados em um lugar ou emoutro?”Estamos permanentemente acompanhando o mercado para saber o que podemos usar, inclusive para projetos fora do Brasil. Abrimos um escritório no interior de São Paulo para fazermos um acompanhamento perma- nente dos fornecedores locais.No México, vamos usar bens contratados no Brasil. Na realidade, contratamos e com- pramos um grande número de equipamentos, como bom- bas, compressores, válvulas, tubulações, que é muito mais amplo do que simplesmente falar de umpacote ou ummó- dulo específico. O pacote de integração é um tipo de servi- ço, um tipo de escopo, mas em todo o FPSO, em todos os módulos, há vários equipamentos comconteúdo local. Um

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=