Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 65 navio de grande porte custamais de US$ 1 bilhão e, depois, temos umcontrato demais de 20 anos de operação que, in- dependentemente de obrigação de conteúdo local, exigirá a contratação de serviços emateriais e equipamentos sobres- salentes. Isso é um conteúdo que não é muito falado. Na sua avaliação, o conteúdo local exigido hoje é factível? Qual a avaliação, tendo em vista a crise que afetou grande parte das empresas fornecedoras instaladas no Brasil? Infelizmente, em 2015 e 2016, muitas empresas perderam pessoas, expertise, conhecimento e diminuíram de tamanho. Então,de certa forma,houve,de fato,uma reduçãodessa capa- cidade,principalmente se comparadoa2011 e 2012.AModec, por princípio, não temumposicionamento de qual conteúdo local é bom ou ruim ou se os números da ANP são bons. O quenos compete é ter essa inteligênciade conhecer a capacida- de da indústria local.Quando recebemos umconvite para um bid , temos que seguir o que o cliente está pedindo. Com base nisso, tentamos fazer a proposta omais competitiva possível. Qual o foco da Modec em relação ao porte de FPSOs? Topsides acima ou abaixo de 20 mil t e plantas maiores ou menores de 100 mil bpd? Avaliamos todos os projetos, mas existe uma tendên- cia natural para projetos maiores, com navios comple- xos, geralmente comprazo longo de operação e de maior valor agregado. Mas, ao contrário de outras empresas, não temos esse posicionamento claro, e até mesmo o FP- SO de Marlim seria um exemplo disso. Não é um navio simples, mas não é um navio do pré-sal. Não temos a es- tratégia de não participar de licitações de navios peque- nos, mas temos uma preferência por navios maiores. Projetos do porte de Gato do Mato estão no radar do grupo? Sim, estamos trabalhando nesse projeto. Esse é um bom exemplo de que existem outras variáveis além do porte dos navios.Cada cliente nos dá uma capacidade de financiamen- to diferente. Cada projeto será avaliado de forma diferente. O futuro do mercado de FPSOs no Brasil aponta para uni- dades maiores e mais complexas, como Carcará, que será a maior unidade do país, e Pão de Açúcar. Como o Sr. avalia isso? O nosso crescimento no Brasil historicamente sempre aconteceu com certo pioneirismo. Fizemos o primeiro FP- SO de uma empresa não Petrobras, o Fluminense, o único FSO afretado [Macaé], primeiro óleo comercial do pré-sal, primeiro navio afretado de Mero e, agora, o primeiro na- vio afretado de Búzios, que é um campo chave da cessão da onerosa. Metade da nossa frota tem essas características. No FPSO Cidade de Angra dos Reis aplicamos um grande número de tecnologias novas. O FPSO doMéxico, que está sendo feito para a ENI, é menor, mas tem uma tecnologia diferente chamada yoke tower . Temos escala de operação no Brasil e histórico de entregar os projetos com conteúdo lo- cal. Temos muito a agregar às companhias que estão come- çando a desenvolver seus projetos aqui, especialmente para unidades maiores e mais complexas como Carcará. A obra do FPSO Búzios V será feita a partir de conversão. A Modec tem planos de construir cascos novos, sob risco ou não? Sobre estratégia de execução de construir casco sob risco, não existe essa iniciativa. Em termos de ter um casco padrão newbuilt , flexível que pode ser utilizado emmúltiplos tipos de projetos, podendo ter um turret interno ou externo, temos es- sa solução e estamos discutindo seuuso emoutrosmercados. As últimas obras da Modec foram todas feitas em esta- leiros da China. Esse é um quadro que veio para ficar? Um dos diferenciais da Modec é ser local globalmen- te. No Brasil,temos uma equipe muito maior que qualquer exigência, alémde uma presençamuito forte naÁsia.Nosso escritório principal de construção fica em Singapura, com cerca de 500 pessoas. Da mesma forma que tentamos de- senvolver a cadeia no Brasil, procuramos ter essa flexibilida- de na Ásia para otimizar e avaliar caso a caso. Como cresci- mento da demanda, eventualmente poderemos não conse- guir fazer tudo na China. Não existe essa tendência. Como a Modec estará no curto, médio e longo prazos? Vejo aModec continuando a crescer no Brasil. Hoje so- mos os líderes e esperamos continuar nessa condição. Esta- mos emumgrandemovimento tecnológico, especialmente na área de digitalização. Temos um centro de operações no Brasil quemonitora toda nossa frota local e a de Gana e que vai monitorar também a do México. Nosso próximo passo é cada vez mais influenciar a construção, com a mentalida- de de digitalização, aplicando as lições aprendidas. Afretamento, BOT ou ambos? Minha percepção é que, cada vez mais, o modelo de afretamento é visto internacionalmente como um modelo de sucesso pelas operadoras. Cada modelo tem prós e contras. São formas diferentes e temos interesse em todos os modelos de negócio. n

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