Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 71 mente necessária a participação de entidades de classe, incluindo sub- setores industriais como represen- tantes do mercado de edificações, da iluminação pública, comércio e de prédios públicos. Todos serão cha- mados a participar de workshops e reuniões com a consultoria vence- dora para criar metodologia e gerar métricas para estabelecer metas de redução de consumo setoriais, regu- larmente verificadas e revisadas, nos moldes do que ocorre a cada dois anos no PDE para comprovar ou não as curvas de expansão previstas. “É mais provável que seja uma atu- alização feita de três a quatro anos”, revela o gerente do Procel. Mas o ponto fundamental da ini- ciativa oficial é que, ao se adotar um planejamento decenal, com metas e indicadores bem definidos por seto- res consumidores, o Brasil entraria no rol de países que realmente uti- lizam a eficiência energética como estratégia e não por meio de ações isoladas, como é o caso por exem- plo dos programas mandatórios às distribuidoras (PEE). “A ideia é defi- nir diretrizes dos principais produ- tos obtidos de eficiência energética e ter uma metodologia que vai nos permitir o acompanhamento e a ve- rificação de que aquelas metas e mé- tricas definidas e os investimentos previstos estão acontecendo, da for- ma como ocorre no PDE”, afirmou o secretário de planejamento e de- senvolvimento energético do MME, Reive Barros. Nos últimos PDEs, aliás, fo- ram incluídas metas para eficiên- cia energética, que no caso do úl- timo, o PDE 2027, foi de alcançar em 2027 uma conservação de ener- gia elétrica da ordem de 41 TWh, o que seria correspondente à gera- ção de uma hidrelétrica com po- tência instalada de cerca de 10 GW, ou seja, uma Itaipu (parte brasilei- ra) e uma Xingó juntas. Ocorre que essa projeção é apenas baseada em incorporações genéricas de ganhos de eficiência. Com o novo plano es- pecífico, as metas serão detalhadas, por segmentos, baseadas em dados reais fornecidos e atualizados pelas indústrias e outros setores, os quais embasarão também a visão dos projetos, ou seja, os modos para se obter as economias. ESTUDO EXCEN/PROCOBRE A política a ser adotada pelo Pla- no Decenal de Eficiência Energéti- ca também se inspira em estudo en- comendado pelo MME ao Institu- to Brasileiro do Cobre (Procobre) e Centro de Excelência em Eficiência Energética (Excen), da Universida- de Federal de Itajubá (MG), conclu- ído no fim de 2018 e cujo conteú- do está sendo analisado pela equipe da secretaria de planejamento e de- senvolvimento energético, segundo confirmou à Brasil Energia o titular da pasta, Reive Barros. Voltado para políticas públicas de eficiência energética, o estudo, além de demonstrar a falta de articulação entre as ações na área (80, segundo os pesquisadores), sugere ao gover- no a criação de um banco de dados compartilhado para incentivar in- vestimentos privados em redução de consumo na indústria, em uma sis- temática permanente coordenada pelo governo. Trata-se de recomen- dação praticamente idêntica ao pla- no decenal, mas que no caso da pes- quisa conta com detalhamentos para criação de modelagemde sistemas de informações com indicadores para o setor industrial, o principal consumi- dor nacional (33%, incluindo com- bustíveis, e 35,9%, apenas eletricida- de) e aquele que demandará maior trabalho para coleta de dados e cria- ção de métricas. No volume dedicado a criar a modelagem de sistemas de dados para a indústria, para começar, os pesquisadores selecionaram cinco setores industriais para entender o envolvimento de cada um deles não só com eficiência energética como na elaboração e acompanhamento de indicadores setoriais por meio de suas associações. Essa etapa foi importante para revelar o grau de dificuldade de acesso a dados para embasar uma política nacional de metas. No caso, o PDEf. Foram escolhidos os subsetores de alimentos e bebidas, cimento, me- talurgia, papel e celulose e química, Estudo do Procobre e Excen aponta falta de articulação entre ações de eficiência

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