Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019
72 Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 POLÍTICA ENERGÉTICA que juntos respondem por 59% da energia total, 66% da elétrica e 57% do gás natural utilizados pelo setor industrial no Brasil. De acordo com o pesquisador do Excen, Luiz Augus- to Horta Nogueira, um dos respon- sáveis pelo estudo, para grata surpre- sa, com exceção do setor de alimen- tos e bebidas, muito heterogêneo, os demais, representados por suas asso- ciações (ABCP, ABM, ABTCP e Abi- quim), têmsistemas de gestão que, na maioria das vezes, coletam com pe- riodicidade indicadores de eficiência energética.“Vai ser muitomais fácil o governo articular com esses setores a troca de informações para criar e ali- mentar a base de dados”, disse. A sugestão de adotar esse mo- delo de política pública, porém, enfrenta também alguns obstácu- los. O principal, avalia o estudo, se- ria convencer todas as indústrias a abrirem seus dados de consumo, o que demandará a criação de esque- mas de proteção e sigilo de infor- mações reservadas. De modo geral, a ideia da pes- quisa é fazer, de forma articulada pela ação governamental, que os principais setores gerem e infor- mem ao governo métricas anuais para permitir comparações de de- sempenho energético entre as em- presas, que serão divulgados e ali- mentarão uma plataforma de me- tas setoriais a serem cumpridas. A ideia deve ser implementada por meio do plano decenal em elabo- ração. “Vamos seguir essa linha do estudo sim”, disse o secretário Rei- ve Barros. Com os dados compar- tilhados, será possível conhecer as indústrias com melhores gestões de consumo, cujos dados serviriam de benchmarking (consumo especí- fico de referência) para as de pior desempenho serem provocadas (e forçadas ao longo do tempo) a ado- tar medidas de melhoria. A sugestão inclui, inicialmente, projetos pilotos em indústrias pa- ra reunir e analisar os dados que gerariam os indicadores da meto- dologia, que devem envolver prin- cipalmente o consumo específico médio e de referência (t de produ- to/kWh), intensidade energética (teq/US$) e participação da coge- ração no consumo. Após isso, ha- veria separação das iniciativas sob o ponto de vista setorial, possibi- litando estudos específicos, pers- pectivas tecnológicas e subsídios à estimativa do potencial de eficiên- cia do uso da energia nos setores. Todo esse trabalho, aliás, pode ser feito pela consultoria que vencer o pregão eletrônico do Procel que sairá nos próximos meses. TIRANDO O ATRASO A grande maioria dos países de- senvolvidos trabalha com políticas de monitoramento e estabelecimen- tos de metas/incentivos para efici- ência energética, e há muito anos. A comunidade europeia, por exem- plo, desde 1993 tem indicadores co- muns entre os 27 países-membros, os quais são avaliados sistematica- mente por todos os países, em todos os setores socioeconômicos, com a participação aberta de empresas, que disponibilizam suas informa- ções. Esse banco de dados embasa a política de eficiência energética dos países. O mesmo ocorre em várias outras regiões do mundo, do Japão aos Estados Unidos. “O Brasil destoa do resto do mundo, já que as grandes nações hoje conseguem crescer sem au- mentar a demanda energética, ou seja, através da eficiência, que pre- cisa ser adotada como postura e, de forma destacada, na indústria, que é a grande consumidora”, explicou o pesquisador Luiz Horta, do Ex- cen, também consultor de eficiên- cia energética da ONU. Há ações estruturadas para cum- prir metas de conservação, de forma mandatória ou com estímulos fis- cais. No primeiro caso, o Japão é um exemplo, com programa que estabe- lece e acompanha metas de eficiên- cia em todos os setores, assim como a Austrália, que tem programa obri- gatório para grandes consumido- res, dos quais são exigidas a identi- ficação, a avaliação e a divulgação de oportunidades de economia. Tam- bém há o exemplo da Indonésia, on- de as empresas com consumo supe- rior a 6.000 teq de petróleo por ano são obrigadas a implantar a norma de gestão de energia ISO 50001. Pe- O Brasil destoa do resto do mundo. As grandes nações hoje conseguem crescer sem aumentar a demanda
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