Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

NADA SE PERDE Resíduos e descartes para a geração de energia POR MARCELO FURTADO 74 Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 Mesmo com sua vocação para a bioenergia, o Brasil está quase per- dendo o “voo” no desenvolvimento e uso de biocombustíveis para avia- ção. Sem cadeia formada para pro- duzir bioquerosene, o país ainda es- tá no estágio de pesquisa e desen- volvimento no segmento, com al- guns raros testes práticos. Enquanto isso, em países desenvolvidos com- panhias aéreas já rodam diariamen- te com alternativas “descarbonizan- tes”, inclusive entrando como sócias de grupos de bioenergia para pro- duzir por conta própria o combustí- vel renovável, em alguns casos com empresas que utilizam resíduos co- mo matéria-prima. O melhor exemplo é projeto da companhia aérea holandesa KLM, que fez parceria em maio deste ano com as conterrâneas SkyNRG e a SHV Energy para erguer a primei- ra fábrica da Europa apenas voltada para produzir combustível de avia- ção sustentável (SAF, susteinable aviation fuel ), na cidade de Delfzil, na Holanda, com previsão de entra- da em operação em 2022. Além de SAF, a planta vai produzir bioGLP e nafta, utilizando como matéria-prima principal resíduos da região. De acordo com a própria KLM, a companhia será a primeira aérea do mundo a investir em larga escala na produção de biocombustível de avia- ção. Pelo acordo, a empresa se com- prometeu por um período de dez anos a ajudar no desenvolvimento do SAF e a consumir, depois de ini- ciada a produção, 75 mil toneladas por ano do combustível. A fábrica, a ser operada pela SkyNRG, conside- rada a principal empresa do mundo em biocombustível para aviação, te- rá capacidade total inicial para 100 mil t/ano. A empresa SHV entrou na empreitada por ser a maior distribui- dora do mundo de gás liquefeito de petróleo (GLP) e entrou com parte do investimento para adquirir 15 mil t/ano do bioGLP, que será um sub- produto da produção do SAF. O cálculo ambiental é que a KLM reduza em 200 mil toneladas por ano suas emissões de CO2, o cor- respondente a mil voos entre Ams- terdam e o Rio de Janeiro. Aliás, para tornar o ciclo produtivo o mais ambientalmente correto, as empre- sas, pelo acordo, proibiram o uso de matérias-primas virgens, de cul- turas alimentares, como óleo de so- Brasil atrasado na bioenergia para aviação KLM planeja consumir 75 mil t/ano de SAF a partir de 2022

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