Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019
Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 75 ja e palma, na produção de SAF. Os resíduos a serem utilizados, de in- dústrias da região, serão, por exem- plo, óleo de cozinha usado. Além disso, o projeto denomi- nado DSL-01, que contará com ou- tros parceiros, como o próprio ae- roporto de Amsterdam (Amster- dam Schiphol Airport), também só utilizará na produção hidrogênio sustentável, a ser produzido a par- tir da água e com geração eólica. Com a opção por matérias-primas sustentáveis, a previsão é a de que as emissões da planta sejam 85% menores do que as de uma similar com combustíveis fósseis. DO COELHO AO JATO Um outro projeto global impor- tante de bioenergia que também vai render combustível de aviação a par- tir de resíduos é o da norte-ameri- cana LanzaTech. A partir de pro- cesso patentea- do, com base em reator com bac- térias anaeróbi- cas encontradas originalmente em excrementos de coelhos, a empre- sa de biotecnologia produz etanol a partir de emissões gasosas da indús- tria siderúrgica e de refinarias de pe- tróleo. Isso por conta da capacidade dessas bactérias de se alimentarem de monóxido de carbono das emis- sões industriais, a partir do qual há a fermentação no reator até o etanol combustível. Já em escala industrial desde maio de 2018, em siderúrgica na China (Jingtang Steel Mill), para pro- duzir 46 milhões de litros por ano de etanol, inicialmente o combustível atenderá o uso em automóveis, co- mo aditivo da gasolina ou forma hi- dratada. Mas já há projetos para sua utilização como biojet , ou seja, como biocombustível de aviação, o que pode ser globalmente acelerado pois há outras plantas com a biotecnolo- gia da LanzaTech em construção, na Índia e na Bélgica. Para uso em aviões, inicialmen- te, o bioetanol da LanzaTech conta com dois parceiros para o desenvol- vimento: a japonesa Mitsui e o labo- ratório norte-americano Pacific Nor- thwest National Labs, que desenvol- veram uma rota para utilizar o etanol gerado como biocombustível de avia- ção, denominado ATJ ( alcohol-to-jet ). O resultado da pesquisa mostra que o biocombustível de aviação pode ser misturado com 50% de querosene de aviação con- vencional. Esse de- senvolvimen- to gerou acor- do em junho com a com- panhia aérea japonesa All Nippon Ai- rways (ANA), que passará a adquirir o etanol de aviação da LanzaTech e seus parceiros a partir de 2021. CORSIA Essa movimentação internacional para aumentar o uso de biocombus- tíveis na aviação tem a ver com um acordo global firmado em 2016 pe- la Organização da Aviação Civil Inter- nacional (Icao), pelo qual foram defi- nidas metas de redução de emissões de gás carbônico, que no caso do setor representam 2% do total emiti- do no mundo. Isso já tem feito com- panhias como a americana United Airlines, a alemã Lufthansa, a holan- desa KLM e a finlandesa Finnair uti- lizarem blends de biocombustíveis em vários voos internacionais. O acordo global se chama Cor- sia, da sigla em inglês para Mecanis- mo de Redução e Compensação nas Emissões de Carbono da Aviação In- ternacional. Ele estabelece que en- tre 2020 e 2050 as companhias aé- reas com voos internacionais redu- zirão em 2% ao ano suas emissões de CO 2 . Mas em uma primeira fase, até 2027, a adesão dos países será voluntária, com 72 países até agora comprometidos. O Brasil não é um deles, o que explica em parte o atra- so nacional no tema. Somente a partir de 2027, o acordo passa a ser mandatório para todos os Estados que tenham uma contribuição para o total de tonela- das-quilômetros pagos transporta- dos (RTK) mundial acima de 0,5%. Assim, as rotas que tenham origem ou destino em aeroportos brasilei- ros deverão ser incluídas no meca- nismo para fins de compensação a partir de 2027. Será nesse momento, portanto, que as ações brasileiras precisarão ocorrer. Além da simples troca e o uso de biocombustíveis, mercado que abre possibilidades principal- mente para o setor de biodiesel no Brasil, com apoio da pesquisa na- cional para adaptação às especifi- cações técnicas dos aviões, o ou- tro caminho para atender às metas globais é a compensação. Por ela, é possível o país pagar por créditos
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