Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

NADA SE PERDE Resíduos e descartes para a geração de energia POR MARCELO FURTADO 76 Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 de carbono. Com valor por tonelada de CO 2 por volta de 12 dólares, a es- timativa do mercado é a de que as companhias brasileiras gastariam 4 milhões de dólares por ano com a compensação, sem agir na troca do combustível. Como esperança ao mercado bra- sileiro, a partir do ano que vem come- ça a valer o Renovabio, política na- cional de biocombustíveis que deve motivar a produção também de bio- querosene. Além disso, desde 2017 funciona no país a Rede Brasileira de Bioquerosene e Hidrocarbone- tos Renováveis para Aviação (RQAV), que criou uma frente de reunião de pesquisa e debates com universida- des e institutos, empresas privadas e departamentos governamentais. A ideia da rede é dar suporte à criação de políticas públicas e às ações para produzir o biojet. A estimativa da rede é a de que entre cinco e dez anos o Brasil tenha bioquerosene de aviação em produção suficiente para atender à demanda local. Biogás no RS A Solví está investindo na amplia- ção de suas usinas térmicas a biogás no Rio Grande do Sul. A UTE de Mi- nas do Leão, de 8,5 MW, na Central de Resíduos do Recreio, a 80 km de Porto Alegre, passa por ampliação pa- ra 15 MW. Além disso, duas novas usi- nas, de 1,42 MW cada, estão em im- plantação nos municípios de São Leo- poldo e Santa Maria (RS). Os projetos são em sociedade com a Companhia Riograndense de Valorização de Resí- duos (CRVR) e a Biotérmica, do grupo Solví, parceria responsável também pela Usina de Minas do Leão. WTE: viabilidade 1 Barreira tecnológica, controle am- biental, fornecedores, nada disso é problema para erguer usinas WTE no Brasil. O gargalo está na viabilidade econômica. Esta pelo menos é a opi- nião de Carlos Alberto Bezerra, diretor da Solví, grupo especializado em so- luções ambientais e responsável pela operação de usinas térmicas a biogás em aterros em Caieiras (SP), Salvador (BA) e Minas do Leão (RS). Para o di- retor, o retorno sobre o investimento de usina com incinerador é muito longo e com o preço de energia possível de ser negociado com os projetos, por vol- ta de R$ 280/MWh, mais o gate-fee (taxa de limpeza), a conta não fecha. “É preciso outro incentivo para viabilizar”, disse durante evento em São Paulo. WTE: viabilidade 2 Ainda segundo Bezerra, em 1999 ele foi à Alemanha para visitar vá- rias usinas em operação, com a ideia de expandir a tecnologia no Brasil. “Voltei fascinado com a solução, mas tive que dizer ao dono da empresa que levaria no mínimo dez anos para a usina começar a se viabilizar”, re- corda o diretor. Na sua opinião, este é o motivo de ainda não ter nenhu- ma WTE para resíduos urbanos no Brasil. “Só há no Brasil incineradores para resíduos industriais [sem geração de energia ], mas aí o gate-fee é elevado, de R$ 2 mil a tonelada e não de R$ 70/t, como se pretende ne- gociar para lixo urbano”, completou. Termoverde Caieiras, da Solví, gera eletricidade de biogás de aterros em SP

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