Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
36 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 MERCADO LIVRE PLD HORÁRIO Mais do que a celeuma em tor- no do varejista, diz o diretor da BRF, o que tem ocupado a gestão energética da empresa para o pró- ximo ano é a entrada do novo cál- culo do PLD, que passará a ser ho- rário, e que demandará olhar mais rigoroso sobre o consumo das unidades. “Até agora, para nossos contratos de curto prazo, que re- presentam 10% do portfólio, as operações de compra de energia estavam desenhadas apenas para concentrar o consumo das fábri- cas para fora do horário de pon- ta. Com o PLD horário isso muda completamente”, explica. Segundo Trinkel, o preço flu- tuante demandará mais assertivi- dade na predição do consumo ao longo do dia, para que a equipe de compra de energia continue dis- ponibilizando o melhor valor nas negociações de curto prazo, fugin- do dos horários com penalidades e tarifas cheias. Por conta da nova realidade, em breve o board da BRF deve apro- var investimento em sistema digi- tal mais robusto de controle on-li- ne e integrado de todas as unidades consumidoras do grupo. “O con- trole do consumo hoje é feito ape- nas pela unidade, que apresenta o comportamento semanal de con- sumo para a equipe de comerciali- zação basear suas decisões. Com o modelo horário, não vamos poder escorregar o consumo para os ho- rários mais caros”, explica. O portfólio de contratos da BRF é composto em 50% deles de longo prazo (acima de cinco anos), 40% de médio (um a cinco anos), e 10%, de curto prazo (até um ano). Atualmente, metade dos contratos de longo prazo são fe- chados com projetos de fontes in- centivadas, hoje com preços mui- to competitivos, segundo Trinkel. “Deixou de ser apenas pelo lado ambiental, mas de custo mesmo. Recentemente fechamos compra de energia de um parque eólico”, diz, referindo-se a acordo de 64 MW no RN com a Voltalia. De for- ma geral, a economia com o mer- cado livre para a BRF, em compa- ração com o mercado regulado, oscila entre 10% e 17%. GRANDES CONSUMIDORES COMPROVAM VANTAGEM DO MERCADO LIVRE O melhor termômetro para co- nhecer os benefícios do consumo de energia livre é a experiência dos consumidores. Atualmente o ACL responde por 30% do consumo na- cional, sendo que no caso da indús- tria a participação chega a 80%. É claro, ao se ver mais de perto o co- tidiano dessas empresas que, se elas puderem, tornarão 100% de suas demandas livres. Ilustra esse comportamento a companhia paulista de saneamen- to, a Sabesp, segunda maior consu- midora livre do país, com 45 uni- dades consumidoras no ACL, sen- do 15 como livre (127 MWm, em 2018) e 30 como incentivada (25 MWm). Com 11 contratos hoje de longo prazo, de até cinco anos, de acordo com a gerente do departa- mento de gestão de energia, Gi- sele Abreu, o consumo livre fez a companhia economizar em 2018 o equivalente a R$ 183 milhões, 33% de diferença do gasto com o mer- cado cativo. Com consumo total em todas as suas instalações (alta, média e bai- xa tensão) de 285 MWm em 2018, o mercado livre já representa 55% da carga. Segundo a gerente, a tendên- cia é aumentar a participação, por conta principalmente da extinção gradual do desconto de 15% na ta- Estação de tratamento da Sabesp, segunda maior consumidora livre do país, com 55% de sua carga
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