Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 35 suas responsabilidades e riscos à AES Tietê, que tem mais de 200 contratos no mercado livre. Além do McDonald´s, revela o geren- te, há cerca de um mês foi fecha- do outro contrato na modalida- de varejista, com cliente de mes- mo perfil, mas cujo nome ainda não pode ser revelado. Com isso, estarão sob o guarda-chuva nes- te ano 256 unidades, totalizando por volta de 15 MW. Segundo Oliveira, o negócio com o McDonald´s ilustra o foco na busca por contratos. Trata-se de cliente com alta demanda energé- tica, com consumo espalhado por várias unidades consumidoras com baixa carga e, melhor ainda, com alta garantia de crédito, o que é es- pecialmente importante tendo em vista a falta de segurança que o co- mercializador varejista tem para ar- car com calotes de um não-agente da CCEE. “As regras atuais incorporam todos os riscos para a figura do va- rejista, não os rateia com o consu- midor”, explica. “Se ele não pagar, nós continuamos a ser responsáveis pela carga”, diz. O risco, no caso de inadimplência, é o cliente judicia- lizar a pendência, conseguir uma liminar e evitar a possibilidade de corte de energia. “É preciso criar uma ferramenta para administrar esse risco”, diz Oliveira. Daí a im- portância de a AES Tietê, nesses primeiros contratos, escolher clien- tes de grande porte. VISÃO DA MAIOR CONSUMIDORA Maior consumidor livre do país, o grupo alimentício BRF tem visão moderada sobre a questão do comercializador va- rejista - apenas a menor parte de suas unidades consumidoras tem carga inferior a 1 MW. Is- so, porém, não significa que os executivos responsáveis descon- sideram as mudanças propostas que, segundo o diretor de enge- nharia industrial da BRF, Ricar- do Trinkel, se aprovadas podem afetar o operacional da empresa, sem chegar a ser prejudicial co- mercialmente para o portfólio de contratos no ACL. Com carga total no mercado livre de 230 MW e atualmente com 53 unidades consumidoras migradas, que representam 98% do seu consumo total, a hipótese de precisar contratar comerciali- zador varejista já em 2020 fez o grupo acelerar sua próxima eta- pa de migração. Como todas as restantes 15 unidades consumi- doras elegíveis são com cargas abaixo de 1 MW, a ideia é com- pletar as migrações até o fim do ano, já que pela proposta do MME a nova regra só vale para quem entrar no ACL em 2020. Concluídas, a BRF terá 99,7% do seu consumo livre. Para Trinkel, valendo a no- va obrigatoriedade e no caso de alguma migração não se realizar a tempo, na sua avaliação have- rá a necessidade de contratar vá- rios varejistas, já que as unidades estão em vários locais do país. O executivo também lamenta o fa- to de precisar ter que terceirizar algo que sua equipe de comercia- lização de energia, formatada em 2017 e com três profissionais de- dicados, é plenamente qualifica- da para fazer. Usina Serra Pará, da Voltalia, no RN: companhia negociou eólica de 64 MW com a BRF
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