Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

70 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 SMART GRID alerta o vice-presidente de Opera- ções Reguladas da CPFL Energia, Luís Henrique Ferreira Pinto. RECURSOS ENERGÉTICOS DISTRIBUÍDOS Dados obtidos na Aneel indi- cam que, nos últimos anos, R$ 1,6 bilhão foi investido em cerca de 300 projetos de P&D relacionados às tecnologias de redes inteligentes. Mas há novas frentes de inovação a serem exploradas e que exigirão desembolsos muito mais elevados. A aceleração do avanço da gera- ção distribuída - que já causa grave estresse entre distribuidoras e ins- taladores de sistemas fotovoltaicos -, somada à introdução de recursos de armazenamento nas redes, mais o ingresso, ainda que bem gradual, de veículos elétricos são os próxi- mos capítulos de um processo mui- to desafiador. Especialistas indicam que, de- pois do boom da mini e micro ge- ração distribuída, será a vez da ele- tromobilidade passar a trazer im- pactos mais fortes. Primeiro em transporte de carga e de passagei- ros, para depois se multiplicar no modal individual. Empresas como a Ambev e municípios como Cam- pinas (SP) estão começando a in- vestir, respectivamente, em entre- gas “limpas” e coletivos mais silen- ciosos e confortáveis, ambos em busca de redução de consumo de óleo diesel e de uma pegada de car- bono de menor impacto. Aliás, ante a possibilidade de al- terações mais drásticas nas regras que tratam de GD, a aquisição de plantas solares disparou. Há algo em torno de 300 conexões por dia, promovendo os clientes a prosu- midores, já que também são capa- zes de produzir sua própria eletrici- dade, injetando excedentes na ma- lha das distribuidoras. Previsão da EPE é de que até 2027 o Brasil con- te com 12 GW instalados de gera- ção distribuída, algo que ainda tra- rá muita dor-de-cabeça aos plane- jadores da distribuição. “Vai ter oscilação e sobretensão na rede secundária, implicando em mudança de configuração, o que vai exigir mais investimento”, avi- sa Ferreira Pinto, com base no re- sultado de um projeto de P&D da CPFL Energia – em parceria com a Unicamp e CPqD - que analisou os efeitos de um bairro inteiro de Campinas (SP) equipado com uni- dades de geração solar distribuída. REGULAÇÃO E REMUNERAÇÃO A própria Aneel está no centro desse “furacão” de mudanças e pro- cura resolver várias demandas ao mesmo tempo vindas de todas as pontas do mercado. O diretor San- doval Feitosa entende que é uma corrida em que o regulador aca- ba sempre ficando um passo atrás. “Nós nunca vamos nos antecipar às tendências”, reconhece. O segmento de distribuição se recente, a propósito, da falta de uma consolidação das regulações que tratam de temas ligados a re- des inteligentes, conforme assinala o consultor Cyro Bocuzzi, que tam- bém é presidente do Fórum Latino- -Americano de Smart Grid. “Os investimentos regulares re- queridos pelas empresas incluem não somente a atualização dos ati- vos convencionais, como equipa- mentos, componentes, materiais e respectivos serviços de instalação e ampliação de redes elétricas, mas crescentemente precisam incor- porar, ano a ano, parcelas cada vez maiores de equipamentos devota- dos a automação e digitalização de sistemas elétricos, software, tele- comunicação e sistemas de inteli- gência artificial, suportando todos os processos empresariais”, justifi- ca o especialista, para quem toda a cadeia de fornecedores tem si- do também impactada pela trans- formação da natureza dos investi- mentos necessários e pela falta de regularidade e maior previsibili-

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