Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 71 dade e respaldo na regulamenta- ção em vigor. Umas das principais questões a resolver agora é justamente a conciliação entre modicidade ta- rifária e a demanda por mais re- cursos, para dar sequência ao tra- balho de modernização que ainda vem por aí. O segmento de distribuição ar- recada R$ 243 bilhões anualmente e investe R$ 16 bilhões em expan- são e modernização. Só que do total da fatura do consumidor, as con- cessionárias ficam hoje com 18% a 20% de uma fatia que, no passa- do, chegou a quase 40% e foi enco- lhendo na base do aperto regulató- rio associado ao avanço dos custos de transmissão, geração e, princi- palmente, dos encargos e tributos. Lembrando ainda que grande parte do Brasil ainda convive com o padrão de atendimento e quali- dade dos anos 1990 e há quem ain- da sequer possua acesso a energia elétrica e aguarda ansiosamente as próximas etapas do Programa Luz Para Todos. O regulador pre- cisa levar em conta esse trade-off, ou seja, ao dosar as tarifas para fa- zer frente a investimentos em ino- vação e modernidade, não pode querer fazer um alinhamento ho- rizontal sem levar em conta assi- metrias gritantes entre regiões do país mais e menos urbanizadas. Pelo menos é o que pensa o ex- -diretor da Aneel Eduardo Henri- que Ellery Filho, consultor e sócio do escritório Abdo, Ellery & Asso- ciados. Ele é favorável que a Aneel atenda algumas das reivindicações básicas do segmento de distribui- ção. Entende que é necessário con- ceder um aumento de tarifa para as concessionárias que estão acredi- tando firme em aplicar inteligên- cia às redes, para depois ir, gradual- mente, capturando os ganhos obti- dos para serem revertidos à modi- cidade tarifária. “Regulação por incentivo é is- so. Precisa ter algum sinalzinho pa- ra o investidor. Para poder dar tem- po de fazer frente aos custos e todo mundo poder reagir”, explica o es- pecialista, que recomenda a adoção dessa estratégia de acordo com ca- da mercado atendido pelas compa- nhias de distribuição. “Vai ter que ser algo diferenciado”, adiciona. DISTRIBUIDORAS Resguardando-se as propor- ções, a privatização de distribui- doras que antes estavam sob a gestão Eletrobras abriu um ver- dadeiro mundo de possibilida- des. As velhas companhias preci- sam de um urgente upgrade tec- nológico para poderem, ao lon- go do tempo, voltar a ter viabili- Linha de distribuição da Cepisa (PI): distribuidoras recém privatizadas têm muito a avançar em tecnologia

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