Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019
72 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 SMART GRID dade econômico-financeira, além de qualidade de fornecimento en- quadrada nos padrões de exigên- cia da Aneel. A boa notícia é que tanto a Energisa – que ficou com a Ceron (RO) e Eletroacre –, co- mo a Equatorial - que arrematou a Ceal (AL) e a Cepisa (PI) - têm no mercado um histórico positivo de boa gestão obtido a partir de investimentos em ferramentas de racionalização e modernização de redes. Até mesmo a Oliveira Energia, que ainda não tem expe- riência comprovada no segmen- to de distribuição, mas já conta com assessores competentes na área, vai ter que desembolsar um bom dinheiro para deixar em or- dem tanto a Amazonas Energia quanto a Boa Vista Energia (RR). Entre as grandes, além da CPFL Energia, Enel, Light, Copel, Ce- mig e Elektro, empresas que há tempos vem aportando um bom dinheiro em modernização, efici- ência e inovação, a EDP Brasil é uma das que, a exemplo do que realiza na Europa, acredita mui- to nessa tendência. Mas entende que é preciso ter alguma clareza maior nos planos para smart grid, bem como algum recurso adicio- nal autorizado pelo regulador, avalia o presidente da EDP Bra- sil, Miguel Setas. Ele ressalta que o grupo acaba de criar, juntamen- te com a Accenture, o Smart Ener- gy Lab. Com base em Recife (PE), a proposta é desenvolver tecnolo- gias e soluções para o setor de uti- lities. “Isso nos permitirá acelerar o desenvolvimento das soluções que estão promovendo a transforma- ção do setor”, explica Setas, que mantém ainda um forte programa de apoio a startups para dar impul- so a pontos de interesse prioritário que possam fazer a EDP se diferen- ciar no mercado e que, do contrá- rio, levariammuito mais tempo pa- ra avançar internamente. FORNECEDORES Por parte dos fabricantes de equipamentos e desenvolvedores de softwares, o entusiasmo por esse filão de negócios não é menor mo- vimentado. Sergio Jacobsen, vice- -Presidente Sênior da Smart Infras- tructure da Siemens tem um cálcu- lo, ainda que preliminar, de quanto o consumidor de energia pode ser beneficiado com um programa me- lhor definido de modernização das redes de distribuição. “No médio e longo prazo é pos- sível chegar a uma redução de até 20% na tarifa de energia, mediante um incentivo”, calcula o executivo. Ele explica que, um estudo mais de- talhado a ser realizado com a Abi- nee, deve permitir chegar a um cál- culo mais preciso. A mobilização já começou e os resultados devem es- tar prontos no começo de 2020, pa- ra serem levados ao governo. Enquanto isso, segundo o exe- cutivo, a Siemens reorganizou seu portfólio de produtos em uma no- va divisão chamada Smart Infraes- tructure, lançada globalmente em abril deste ano. Também acaba de inaugurar, em sua planta em Jun- diaí (SP) o Mindsphere Applica- tion Center (MAC), um espaço de- dicado à co-criação, pesquisa e de- senvolvimento de soluções digi- tais. O Brasil é o quarto país onde a empresa atua a receber esse tipo de unidade, já em plena operação na Alemanha, China e Índia, mas à frente dos EUA e países nórdicos, próximos na lista. O presidente da brasileira CAS Tecnologia, Welson Jacometti, es- tá bastante otimista com as ex- pectativas de negócios. Ele lembra que as vendas no segmento de re- des inteligentes nunca tiveram pa- rada total, mas entre 2013 e 2015, por conta da MP 579, houve um baque maior nas concessionárias, que ficaram sem caixa para tocar adiante investimentos maiores. A companhia é conhecida no mer- A privatização de distribuidoras da Eletrobras abriu um verdadeiro mundo de possibilidades
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