Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 83 de 11.600 GWh, 64% do seu consu- mo próprio e o equivalente a 48% da energia total autogerada por to- dos os setores industriais. SÓ SUBPRODUTOS A grande vantagem das empre- sas do setor é utilizar quase exclusi- vamente subprodutos de seus pro- cessos para a geração de energia térmica e elétrica. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Árvores (Ibá), associação que reúne a cadeia produtiva ligada à produção de uso de madeira plantada, o licor negro - proveniente da produção da celu- lose - e a biomassa florestal repre- sentaram 64,3% e 18,1%, respecti- vamente, de toda energia produzi- da em 2018 por essas indústrias. Embora a geração pelo licor ne- gro da celulose seja preponderan- te, com capacidade instalada de 2,6 GW em 18 usinas, a biomassa ge- rada a partir de florestas plantadas, para o Ibá, tem papel muito impor- tante para o futuro energético do setor, que além da cadeia de celu- lose ainda contempla vários tipos de papéis, painéis de madeira, pisos laminados e o carvão vegetal para siderurgia. Mesmo que, segundo a própria Cogen, hoje a capacidade instalada de 63 usinas de cogeração a madeira seja de 400 MW, há mais 231,5 MW em construção, em mais oito usinas (quatro vendidas em leilões e quatro no mercado livre). Uma dessas em construção é de indústria importante de celulose e papel, a Eldorado. Trata-se da Usi- na Onça Pintada, negociada no lei- lão A-5 de 2016, de 50 MW, e que aproveitará restos de madeiras das plantações que suprem a produção da empresa em Três Lagoas (MS). Com previsão de entrada em ope- ração em outubro de 2020, trata-se de investimento de R$ 320 milhões. INVESTIMENTOS O Ibá espera mais projetos de biomassa a madeira e apresentou ao governo sugestões como a criação de produto específico para a fonte nos leilões, com despacho por quantida- de. Mas os investimentos em usinas em indústrias integradas de celulose e papel ainda devem ser mais signi- ficativos no curto e médio prazo. Entre 2016 e 2018, inaugurações em projetos na Klabin, no Paraná, e na Suzano (ex-Fibria), no Mato Grosso do Sul, e no Maranhão, ele- varam a geração de energia no se- tor em 8,5%, segundo o Ibá, pas- sando de 67,5 milhões de gigajou- les para 73 milhões de GJ no perío- do (sendo 46,93 milhões GJ da fon- te de licor negro). O consumo total do setor em 2018 foi de 99,8 milhões de GJ, o que significa que o setor autogerou 73% das suas necessidades. Com ex- cedente em várias fábrica, o volume comercializado foi de 13,9 milhões GJ em 2016 para 18,33 milhões GJ em 2018, um aumento de 32%. Na avaliação do Ibá, outros empreendimentos tendem a gerar aumento de geração de licor ne- Cogeração no Brasil Fonte Tudo Situação Tudo ES 210,4 SC 175,8 BA 504,8 RS 319,8 MA 260,0 MG 179,0 MS 792,7 MT 109,3 TO 11,5 RO 24,0 PA 77,8 GO 18,2 SP 55,1 AM 9,0 RR 4,8 AC 1,5 © 2019 Mapbox © OpenStreetMap Capacidade instalada por estado (MW) 1955 1961 1969 1970 1971 1974 1976 1987 1992 1997 1998 2000 2001 2002 2003 2004 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 168 221 423 280 351 496 155 251 237 113 223 24 34 44 34 26 55 53 12 45 22 38 38 60 2 5 6 5 2 7 2 3 Capacidade adicionada por ano (MW) Resíduos de madeira Licor Negro Cogeração na indústria de Papel e Celulose PR 679 MW

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