Brasil Energia | Ed. 459 - Outubro, 2019

NADA SE PERDE Resíduos e descartes para a geração de energia POR MARCELO FURTADO 84 Brasil Energia , nº 459, 15 de outubro de 2019 gro e biomassa florestal, combus- tíveis para as novas usinas. O se- tor prevê investimentos até 2022 na casa de US$ 22,6 bilhões, com projetos de empresas como Dura- tex, Klabin e Bracell e de outros grupos que avaliam novos apor- tes de capital. Nessa onda de investimentos, o exemplo mais importante é o da Klabin, produtora de celulose e pa- pel, que emmaio começou as obras do projeto Puma 2, em Ortiguei- ra (PR). Para atender o aumento de produção da fábrica, inaugura- da em março de 2016, o grupo am- pliará sua cogeração de energia de licor negro e biomassa de madeira. A capacidade instalada da uni- dade Puma passará dos atuais 384 MW para 524 MW, com a implan- tação de mais duas caldeiras – uma de recuperação química, que quei- mará 3,3 mil t/dia de licor negro para gerar 578 t/h de vapor, e ou- tra de biomassa, para gerar 220 t/h – que por sua vez alimentarão turbogerador a vapor Siemens de 145,5 MW. De acordo com o gerente de sustentabilidade e meio ambiente da Klabin, Julio Nogueira, a previ- são é que a geração de fato envol- va 324 MW, quando essa primeira etapa do Puma 2 entrar em opera- ção, em maio de 2021. Atualmente, explica o gerente, a cogeração é de 250 MW. Desse total, a fábrica con- some 120 MW e vende no mercado livre 130 MW. Segundo Nogueira, o consu- mo interno na produção passará a ser maior, de 231 MW, e portan- to a venda de excedente será me- nor, de 93 MW. Isso porque a de- manda energética do parque pro- dutivo aumentará, com a entrada de duas linhas para papel kraftli- ner , a primeira em 2021 (450 mil t/ano) e a segunda em 2023 (470 mil t/ano), além do aumento da produção de celulose, dos atuais 1,5 milhão de t/ano para 2,5 mi- lhões de t/ano em 2023. O Puma 2 envolverá investimento de R$ 9,1 bilhões (sendo R$ 1,45 bilhão apenas para a cogeração). A primeira usina da unidade Puma, em operação desde 2016, conta com duas turbinas a vapor em carcaça única, de 192 MW cada, também da Siemens. A planta tem ainda caldeira de recuperação quí- mica para queimar 7 mil t/dia de sólidos secos (licor negro), que ge- ram 1.200 t/h de vapor, e uma cal- deira de biomassa de madeira para 280 t/h de vapor. Além da geração da unidade Puma, a Klabin ainda conta com cogeração nas unidades de Correia Pinto (SC), com 22 MW, em Otací- lio Costa (SC), com 24 MW, e em Monte Alegre (PR), com 72 MW. Segundo o gerente de sustentabi- lidade, 89% da energia consumi- da pela Klabin em suas 18 plantas é de origem renovável, sendo que em Ortigueira, chega a 100%. Já a Suzano, considerada a maior produtora mundial de celu- lose de eucalipto, e que em janeiro de 2019 finalizou a integração da Fibria, tem sete usinas de cogera- ção em cinco estados (Bahia, Ma- ranhão, Mato Grosso do Sul e São Paulo). A potência instalada é de 1,39 GW, com capacidade de ge- ração aproximada de geração de 7.939.713 GWh. Em resposta à reportagem de Brasil Energia , a companhia in- forma que está em processo de análise de todas as oportunida- des futuras de alocação de capital para novos investimentos, o que logicamente inclui planos especí- ficos para a cogeração. Em 2018, considerando os números da Su- zano Papel e Celulose e da Fibria, de forma independentes antes da fusão dos negócios, foram gera- dos 8.162,997 GWh e consumi- dos 7.334,295 GWh, com o exce- dente de 828,702 GWh exporta- do para a rede. A MELHOR DA FONTE O desempenho das usinas tér- micas da indústria de papel e celu- lose, aliás, é a principal razão para a produção de energia elétrica da fonte biomassa ter registrado, se- gundo dados da CCEE, aumen- to de 10% entre 2016 e 2018. Com operação de 276 usinas (incluin- do o bagaço de cana), que têm 12,9 GW de capacidade instalada, o se- tor gerou, em 2018, 3.007 MW mé- dios, contra 2.718 MWm em 2016 (e 2.908 MWm em 2017). Como o setor sucroenergéti- co no período, com suas 207 usi- nas, teve crescimento na geração de apenas 0,2% de 2017 a 2018 e de 1% de 2016 a 2017, segun- do dados da Única, o desempe- nho positivo da fonte biomassa foi totalmente influenciado pe- las usinas de licor negro. Segun- do dados da CCEE, essas térmi- cas do setor de celulose e papel passaram de uma geração de 186 MW médios, em 2016, para 364 MWm em 2018. n

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