Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019

ENTREVISTA Yuri Schmitke 16 Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 taxa cai numa conta genérica de arrecadação do es- tado, fica sem lastro. Já a tarifa não, é uma garantia que pode ser tomada para a obtenção dos emprésti- mos bancários. Incluímos essa proposta no projeto ao Congresso. Além da ação junto ao Legislativo, com o Executivo a Abren também tem mantido conversas? Sim, estamos atuando em três frentes principais com o MME. A primeira demanda é que seja refor- mulada a Portaria 65/2018, que trata da possibili- dade de as distribuidoras contratarem por chamada pública até 10% do seu mix de energia em fontes in- centivadas e em projetos de até 30 MW de potência instalada. A portaria não gerou nenhuma contrata- ção porque há uma indefinição no setor de como vai se dar a concorrência entre as fontes. A Aneel preci- sa regulamentar a portaria de modo que fique cla- ro, ao se estabelecer os valores de referência, que a distribuidora pode contratar a fonte que ela entenda necessária. Quando isso ocorrer, a nossa fonte tem tudo para ter prioridade nessas contratações, por- que detém os melhores atributos: é firme, renovável na fração orgânica e tem impacto ambiental positi- vo por eliminar uma grande externalidade ambien- tal, ou seja, o lixo. E as outras duas frentes de ação? A segunda é a promoção de leilões regulados pa- ra geração a partir de resíduos sólidos urbanos, in- cluindo prinicipalmente a incineração, mas também outras tecnologias como a gaseificação e a pirólise. Estivemos com o secretário de planejamento energé- tico para discutir isso. A terceira proposta é no âmbi- to da CP 77/2019, sobre o mercado livre de energia. Fizemos contribuição pedindo que a nossa fonte te- nha abertura preferencial para projetos de ACL a se- rem contratados para iluminação pública e em pré- dios públicos. Como seria, em termos tecnológicos, o parque instalado de usinas de recuperação energética no país? Para processar volumes de lixo acima de 800 t/ dia, o que seria viável em regiões metropolitanas e grandes cidades do país, sem dúvida a melhor op- ção é o mass burning, a usina térmica com incine- ração, que elimina 95% dos resíduos e tem potência instalada a partir de 20 MW. Trata-se aí da solução térmica mais empregada no mundo, de pleno do- mínio operacional e de controle de emissões, com mais de 2 mil plantas instaladas. Já para municípios menores, a se guiar pelo que acontece na Europa, o ideal seria utilizar sistemas de tratamento mecâ- nico biológico, utilizado para retirar os orgânicos do lixo que, por sua vez, seguem para biodigestor, o qual gera biogás. A sobra dessa etapa de separa- ção do orgânico gera o CDR (combustível derivado de resíduos), que pode ir para incinerador ou para alimentar fornos de cimento. A outra opção para as cidades menores seria o uso de gaseificadores de lixo, como as que a WEG passou a ofertar recente- mente no Brasil, para potências de 2,5 MW e 5 MW, que se encaixam na geração distribuída. E em potencial de geração de energia, qual seria o cenário? Estima-se que se o Brasil destinar 35% dos re- síduos sólidos urbanos para usinas de recuperação energética, o que a China faz hoje, seria possível ge- rar aproximadamente 1.300 GWh/mês, montante suficiente para o consumo de 3,29% da demanda na- cional de energia elétrica. n O mass burning é o método mais indicado para grandes cidades, pela capacidade de processar volumes de lixo acima de 800 t/dia,

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