Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019

Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 23 regiões e os resultados foram bem diferentes, especialmente no que se refere às usinas a fio d’água do Norte. Ainda que Belo Monte ti- vesse elevado sua potência instala- da para 9.339 MW, com a incorpo- ração de mais três turbinas Francis, elevando a capacidade instalada do conjunto nortista para 18.537 MW, o recorde de geração das qua- tro usinas no período foi de 2.384 MWm no dia 20 de agosto, com 1.120 MWm só de Santo Antônio. E o piso de produção das qua- tro grandes usinas no período foi 1.709,94 MWm no dia 6 de se- tembro, uma sexta-feira, com Be- lo Monte gerando 277,16 MWm e Santo Antônio contribuindo com 835,47 MWm. No dia 1º de setem- bro, um domingo, Belo Monte ge- rou apenas 151,28 MWm, quase metade do que pode gerar apenas sua casa de força complementar. A pesquisa feita nos mesmos 24 dias do período seco nos números das usinas do Rio Grande mostrou um quadro diferente. Mesmo com os esforços feitos pelo ONS pa- ra não deplecionar excessivamente os reservatórios, as 12 UHEs gera- ram no dia 11 de setembro, o teto para o período, 4.749 MWm. O pi- so, no dia 25 de agosto, um sába- do, foi de apenas 2.032,93 MWmé- dios, mas em 12 dos 24 dias a ge- ração do complexo ficou acima dos 3.500 MWm. Aqui, a situação entre agosto e setembro foi inversa à de abril. Com os rios da Amazônia secos, a maior parte das suas turbinas fi- cou parada. No Sudeste, as usinas de reservatório, ainda que a afluên- cia de água tenha mantido o ritmo aquém do desejável, puderam, com a economia feita durante o período úmido, dar uma colaboração maior para o equilíbrio da oferta. UTOPIA E MUNDO REAL Para o diretor-geral do ONS, Eduardo Barata, o levantamento traduz a realidade do setor elétrico brasileiro, com o Norte reduzindo a pressão sobre o Sudeste no perío- do úmido para que o Sudeste pos- sa responder quando o Norte reduz sua capacidade de gerar. “O ideal utópico seria fazer re- servatórios na região Norte, como se concedeu na década de 1990”, ressalta, lembrando que Belo Mon- te, originalmente seria um comple- xo formado por duas usinas, Baba- quara e Kararaô, com 17,6 GW de capacidade e um lago que obriga- ria a um grande deslocamento de populações indígenas. Para Barata, “no mundo real não dá mais para construir” hidrelétricas com reser- vatórios no Norte do Brasil. O dirigente do órgão respon- sável pela operação do SIN admite que a partir de 2023 e 2024 o Bra- sil terá necessidade de potência adi- cional, mas descarta a possibilidade de que esse suprimento possa vir de UHEs convencionais, com reserva- tório. Sua aposta é em novas alter- nativas, especialmente térmicas a gás de partida rápida e hidrelétri- cas reversíveis. Barata vê, a partir da década de 2030, as hídricas tra- dicionais deixando de ser a base pa- ra serem as moduladoras do SIN. Para suprir a intermitência das novas renováveis, engenheira Ma- ria Regina, consultora técnica da EPE, entende que “praticamente todos os tipos de UHEs” têm uma contribuição a dar, seja pela adi- ção de inércia ou pela flexibilida- Hidrelétrica de Balbina, emblemática, com reservatório de 2.360 km2 e capacidade instalada de 250 MW Alexandre Kemenes

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