Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019
Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 35 as usinas hidrelétricas do qual o maior destaque é o investimento de R$ 3 bi- lhões emdez anos para repaginar total- mente as 34 turbinas das usinas de Ju- piá (1.551,2MW) e Ilha Solteira (3.444 MW), ambas no rio Paraná. A obra já está em andamento e quatro turbinas foram moderniza- das até abril (duas de cada usina) e outras oito estão em modernização. O grupo chinês também concluiu no primeiro semestre deste ano a tro- ca das quatro turbinas da usina de Capivara, no rio Paranapanema SP/ PR), elevando sua capacidade em 24 MW, de 619 para 643MW. O investi- mento foi de R$ 150 milhões. A AES Tietê, com 2.658 MW de potência hidrelétrica instalada (no- ve UHEs e três PCHs), é outra gran- de empresa privada do setor que vem desenvolvendo umprograma de mo- dernização das suas unidades desde 2013, com previsão de término em 2024, com investimento total de R$ 900 milhões, dos quais R$ 600 mi- lhões realizados até 2018. De acordo com a empresa, os focos principais dos investimen- tos são a atuação tecnológica dos equipamentos e a segurança ciber- nética. Para este ano está prevista a conclusão dos trabalhos na usina de Ibitinga (132 MW) e as próxi- mas serão as de Barra Bonita (141 MW) e Promissão (264 MW). Outro projeto de modernização que inclui aumento de capacidade é o da usina de Três Marias, no rio São Francisco, pertencente à esta- tal mineira Cemig. O projeto ainda é embrionário e só deverá ser im- plementado após 2024, segundo os cálculos da empresa, mas já está em fase de estudos e prevê a instalação de mais duas turbinas, de potências ainda a definir, elevando o total de unidades geradoras da usina para oito. A Cemig possui sete hidrelé- tricas, totalizando 2.657 MW. Três Marias tem atualmente capacidade instalada de 396 MW. Uma das unidades geradoras de Itaipu: modernização está dividida em três lotes Como Itaipu vende sua energia a preço de custo (US$ 22,60/kW- mês desde 2009) para ser comer- cializada pelas suas controladoras, Eletrobras no Brasil e Ande no Pa- raguai, seu orçamento depende es- tritamente do que for faturado. Pa- ra este ano, o orçamento é de US$ 3,29 bilhões, dos quais US$ 2,07 bi- lhões (63%) irão para o serviço da dívida contraída para a construção da usina, totalmente financiada pe- lo lado brasileiro. Pelo cronograma, a dívida será zerada em 2023, quando o Tratado de Itaipu, que estará completando 50 anos, deverá ser revisto, inclusive pa- ra saber como ficará a tarifa após o fim do pesado custo financeiro. Em- bora Itaipu tenha custado US$ 12,5 bilhões em valores históricos (99,2% financiados), estima-se que seu cus- to financeiro total chegue a cerca de US$ 66 bilhões. Restam US$ 5,8 bi- lhões a serem pagos até 2023. Além do serviço da dívida, o fa- turamento de Itaipu assegura a ma- nutenção da usina, incluindo o paga- mento aos cerca de 3 mil funcionários de ambos os lados, e os investimen- tos, incluindo o programa de moder- nização da usina que vai exigir mais de US$ 700 milhões até 2030 ou 2033. Todos esses planos têm entre seus pressupostos não só o corte de despe- sas, mas um equilíbrio de receitas ope- racionais para o qual a normalização contratual é parte importante. Em jo- go, algo também não explicitado aos jornalistas, conseguir que o Paraguai compre energia da garantia física na proporção das suas necessidades. Em 2018 o país vizinho usou 16% da energia de Itaipu, mas só 10% des- sa parte garantida, que correspondeu a 78% de toda a produção da usina. É que a energia chamada excedente custa na ponta da comercializaçãoUS$ 6,06/ MWh, enquanto a garantida custaUS$ 43,80/MWh. O Paraguai usou 52% de energia garantida e 48%da excedente. Itaipu nasceu não só da necessida- de econômica de uma poderosa fonte de energia para alimentar o desenvolvi- mento dos dois países. Também serviu para resolver diplomaticamente uma questão territorial que remontava ao pós-Guerra do Paraguai (1864-1870). Com a usina, a zona litigiosa fi- cou submersa no lago que pertence aos dois países. Nas entrelinhas, te- me-se que a polêmica ora em curso faça emergir os fantasmas do desen- tendimento. O, pior, venha azedar quatro anos antes a difícil revisão do chamado Anexo C do Tratado de Itaipu, prevista para 2023. Daí a ten- tativa de lidar com o tema da forma mais discreta possível. n
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