Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019
34 Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 HIDRICAS MODERNIZAÇÃO É A TÔNICA NA GERAÇÃO HÍDRICA O gigantismo de Itaipu justifica o destaque da modernização com- pleta das suas turbinas,mas essa ten- dência domina a maioria das unida- des mais antigas do sistema hidre- létrico brasileiros, em alguns casos, envolvendo aumento de potência das usinas. Pelo menos quatro gran- des empresas do setor estiveram, es- tão ou pretendem estar envolvidas nos próximos anos em algum pro- cesso de modernização das suas uni- dades de geração hidrelétrica, o que não significa que as demais não este- jam com projetos semelhantes. É o caso da também estatal Fur- nas Centrais Elétricas (grupo Ele- trobras), que após fazer a moder- nização das unidades geradoras das usinas de Furnas, Mascarenhas de Moraes e Luiz Carlos Barreto de Carvalho, todas no rio Gran- de (MG/SP), prepara agora fazer o mesmo com suas outras três usinas localizadas no mesmo rio, Marim- bondo, Porto Colômbia e Funil. Depois de receber as propostas- para os projetos básicos, orçados em R$ 2,9 milhões, Furnas espera em oito meses definir o cronogra- ma das obras que vão abranger, en- tre outros serviços, troca de siste- mas analógicos por digitais e mecâ- nicos por hidráulicos. As seis usinas juntas têmcapacida- de instalada de 4.718 MW, aproxima- damente um terço da potência total de Itaipu (14mil MW). Furnas já vem realizando ou planeja realizar trocas menos abrangentes de equipamentos em outras usinas importantes além daquelas situadas no rio Grande, co- mo Itumbiara, amaior das suas hidre- létricas de controle exclusivo (2.082 MW) e Corumbá (375MW). A CTG Brasil, subsidiária do gru- po chinês CTG Corp., com 17 hidrelé- tricas e 11 parques eólicos no país, to- talizando 8,28 mil MW, vem tocando umprograma de modernização de su- Itaipu suaviza polêmica com Paraguai Para uma delegação de dez jornalis- tas convidados no final de agosto, de al- guns dos principais veículos de comu- nicaçãodopaís,de abrangência geral ou setorial, a direção brasileira de ItaipuBi- nacional procurou passar a ideia de que a segunda maior hidrelétrica do mun- do é agente passivonas divergências que se seguiram à revelação dos termos da chamada “Ata de Maio” e sua, subse- quente, rejeição unilateral pelo governo paraguaio, com a anuência brasileira a posteriori e consequências políticas no governo vizinho. No dia a dia de Itaipu, para ca- da cargo de gestão do lado brasilei- ro existe o seu espelho do lado para- guaio e vice-versa, concretizando o caráter binacional 50/50 do empre- endimento, conforme o Tratado de Itaipu, assinado em 1973. Por força de o Brasil consumir cer- ca de seis vezes mais que o lado pa- raguaio – em 2018 foram 84% para o Brasil e 16% para o Paraguai-, há pe- culiaridades na partilha da energia ge- rada, que precisam ser resolvidas por um contrato entre as duas partes que deveria ser renovado a cada 20 anos, mas que ultimamente caiu para anual e, mais recentemente, até mensal. Neste momento o contrato está em aberto, desde fevereiro, por força da anulação da “Ata de Maio” que, no entendimento de parcela apa- rentemente majoritária da socieda- de paraguaia era lesivo aos interes- ses do país vizinho. E mesmo com a preocupação de dizer que o pro- blema está sendo tratado “nas altas esferas” e que o negócio de Itaipu é produzir, o diretor geral brasilei- ro de Itaipu, General Joaquim Silva e Luna, não resistiu a reclamar agili- dade nas negociações. Segundo ele, o problema é que a falta de um acordo está impedindo a binacional de faturar a parcela de ener- gia em litígio, prejudicando seu orça- mento anual. “É um espaço pequeno acumulado ao longo desses meses, que ainda não afetou a saúde financeira da empresa. Se durar até o final do ano vai afetar. Algum compromisso nosso vai ser afetado”, disse o general Luna que preferiu recuar na hora em que lhe fo- ram pedidos números. De acordo com dados de merca- do, esse valor acumulado desde fe- vereiro soma US$ 50 milhões, (cer- ca de R$ 200 milhões). Persistindo o impasse até dezembro, iria a US$ 130 milhões, ou quase R$ 550 milhões.
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