Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019
Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 47 “Ganha-ganha” Ao mesmo tempo em que se de- senvolve, gradativamente, o processo de troca, há um outro debate ocor- rendo, envolvendo empresas trans- missoras, Abrate e Aneel. Essa movi- mentação busca aperfeiçoar as regras vigentes para troca de componentes em fim de vida útil regulatória. Al- go que, se der certo, segundo o presi- dente da Abrate, Mario Miranda, po- de significar um avanço “ganha-ga- nha” para todos, incluindo os consu- midores brasileiros. É que a regulamentação em vigor manda que as companhias troquem os produtos tão logo vença o prazo sinalizado na legislação. No caso de um disjuntor, por exemplo, a desmo- bilização deve se dar com 35 anos de uso. Acontece que, a depender de on- de o equipamento esteja colocado no sistema, ele pode ser raramente acio- nado – o que lhe renderia uma sobre- vida.Mas, se houver algumproblema com o produto e a transmissora for penalizada pelo órgão regulador, não vai conseguir ser ressarcida por segu- ro porque o mercado não aceita fazer contratos que garantam indeniza- ções para além do prazo da vida útil, já que a legislação brasileira obriga a indústria a manter peças de reposi- ção por um período determinado. A transmissora até tem interesse na troca por um novo porque isso lhe rende uma remuneração. Ocor- re que, nem sempre há recurso ne- cessário em caixa para investir nu- ma troca, ante outras demandas mais urgentes. Uma possível saída para essa si- tuação, defende Miranda, é manter em operação aquele equipamento menos “estressado” – mesmo em fim de vida útil regulatória – mas que te- ria direito a receber uma remunera- ção proporcional e não equivalente a ummodelo“zero quilômetro”, o que, a rigor, também acabaria por onerar ainda mais a tarifa final. Aí entra em campo, novamen- te, a tecnologia de ponta, segun- do Sérgio Jacobsen, gerente Geral da Divisão de Smart Grid da Sie- mens. Ele argumenta que só há uma maneira de avaliar e acompa- nhar com mais precisão o estado de um equipamento em uso: dotá- -lo de sensores capazes de “ler” os principais sinais vitais. “Dessa forma é possível fazer um diagnóstico que embasará um plano de substituição, estabelecen- do um cronograma mais preciso para as trocas”, defende, lembran- do que hoje as substituições são feitas, em geral, por tempo de uso. Ainda a respeito da vida útil dos produtos,Miranda comenta que, nos últimos anos, alguns deles tiveram uma queda no preço. Um disjuntor de 500 kV, por exemplo, custava US$ 500 mil e durava 36 anos, em média. Hoje vale U$ 300 mil, mas com hori- zonte de 32 anos. n
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