Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019
Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 63 P ara dar resultado, as ações de eficiência energética em grandes corporações, que gastam muita energia em várias unidades consumidoras, precisam fazer parte de programas permanentes, normalmente base- ados em sistema de gestão espe- cíficos para a área e coordenados por gerência corporativa - que de- ve reunir oportunidades de efici- ência, avaliar a viabilidade finan- ceira para posterior implementa- ção dos projetos e medir os resul- tados ao longo do tempo. Esse modo de atuação se verifi- ca em muitas empresas, em todos os setores da economia, mas com especial frequência em indústrias ou atividades energointensivas, co- mo por exemplo a química, no pri- meiro caso, ou o saneamento bási- co, no segundo. Há exemplos em ambos os setores de grupos que obtiveram resultados animadores na redução de consumo adotando programas bem organizados de efi- ciência energética. A subsidiária da indústria quí- mica alemã Basf, que tem 17 uni- dades produtivas no Brasil, imple- mentou a partir de 2015 um sis- tema de gestão próprio, chamado Triple E (Excelência em Eficiência Energética), que no acumulado até outubro de 2019 reduziu seu con- sumo de energia em 58,1 GWh/ano em sete unidades, sendo 5 no Bra- sil, uma no Chile e outra na Argen- tina. As fábricas brasileiras respon- dem por 90% do consumo do gru- po no país. O projeto começou no princi- pal complexo industrial da Basf na América Latina, em Guaratinguetá (SP), onde há 11 fábricas e que, se- gundo seu diretor geral, Patrick Sil- va, serviu como modelo para a ex- periência do programa, depois re- plicado para as demais unidades. “Em 2015, no auge da crise no pa- ís, percebemos que não conseguirí- amos reduzir nosso custo da ener- gia, na época com o preço mui- to atrelado à situação econômica, que não fosse pela redução do con- sumo”, diz. Daí a ideia do Triple E, que foi efetivamente adotado em dezembro de 2015. O primeiro passo para o pro- grama, explica Silva, foi quebrar um paradigma: buscar parceria com a universidade, o que não é comum no Brasil, ao contrário por exemplo do que ocorre no país de origem da Basf, a Alemanha. A es- colhida para formar a parceria foi a Unesp, campus de Guaratinguetá, onde há um laboratório de eficiên- cia energética. A segunda etapa foi eleger dentro do complexo químico se- te engenheiros, de diferentes li- nhas produtivas, que passaram a ser responsáveis por identificar oportunidades de eficiência ener- gética. Com o suporte dos pes- quisadores da Unesp, eles come- çaram a desenvolver e a estudar a viabilidade das oportunidades, que totalizaram 184 em Guara- tinguetá. Com o modelo pronto, e com iniciativas adotadas no pri- meiro ano no complexo que re- sultaram em redução de consumo de 6%, a Basf estendeu o progra- ma para mais seis unidades: São Bernardo do Campo (SP), Jaca- reí (SP), Indaiatuba (SP), Cama- çari (BA), General Lagos (Argen- tina) e Concón (Chile). Em todas as unidades, as oportunidades su- biram para 385. Unidade brasileira da BASF, alta no custo da energia em 2015 incentivou programa de eficiência de longo prazo
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