Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020
Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 13 Você é a primeira mulher a presidir o IBP em seis déca- das. Como enxerga isso? Vejo como um sinal de maturidade da indústria e do IBP, que, aos 62 anos, decide que há espaço para li- deranças femininas. Acho que é um movimento natu- ral de acolher perfis diferentes, que vem com mensa- gem de competência e capacidade de agregar outros valores à indústria em um momento de reposiciona- mento importante. A Catavento, empresa da qual você é sócia, fez um es- tudo para o IBP em 2015, analisando o setor de óleo e gás e apontando tendências. O que mudou de lá para cá? O que se confirmou e o que não aconteceu conforme previsto? Hoje, há elementos da sociedade civil, como jovens, investidores, fundos soberanos e governos, sobretudo do hemisfério norte, que são muito mais conscientes em relação aos impactos das fontes fósseis de energia sobre a mudança do clima e, portanto, mais exigen- tes quanto a respostas para lidar com esses impactos. Do ponto de vista da demanda, nós já indicávamos um deslocamento da eixo da demanda saindo do Ocidente para a Ásia, com predominância da China, Índia e pa- íses do Sudeste Asiático, com crescimento econômico forte e acelerado, precisando aumentar o seu consumo de energia per capita, e uma mudança muito forte na forma como a sociedade quer consumir energia: mais consciente de sua origem e impactos e podendo, por- tanto, alocar melhor a sua escolha. Diria que, de uma forma geral, já tínhamos contemplado essas macro ten- dências e que, de lá para cá, elas se aceleram muito. E no Brasil? O que aconteceu foi uma profunda transformação das regras que regem todo o contexto regulatório insti- tucional, revistas para acelerar a participação de players privados nas licitações, retomar o calendário, desonerar a Petrobras da obrigação de ser operadora única e todos os avanços que foram implementados a partir do gover- no Temer. Nós não tínhamos clareza de que isso poderia acontecer e, portanto, o Brasil estava um pouco à mar- gem de todas as transformações do setor de energia. A partir do momento em que se abre mais o setor, expon- do-o à atuação de players internacionais, você se insere melhor e mais rapidamente nesse contexto global. Que peso a transição energética terá em sua gestão no IBP? O grande papel inicial que tive no IBP foi de des- mistificar a ideia de que falar de transição significava atacar a indústria de óleo e gás ou decretar o fim de sua prosperidade. Falar de transição, na minha visão, é inserir o setor em uma discussão ampla, rica e reple- O IBP REPENSADO Primeira mulher a comandar o IBP em 62 anos, a economista Clarissa Lins assumiu o cargo com o desafio de formatar e implantar a estratégia de atuação do instituto em meio à abertura dos mercados de gás natural e refino. Ela promete trazer um novo olhar, de viés mais abrangente e direcionado a toda a cadeia. Nesta entrevista, Clarissa detalhou seus planos e traçou cenários do que está por vir. CLAUDIA SIQUEIRA
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