Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020
Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 23 S e a logística de seus imen- sos componentes sempre foi um desafio para o se- tor eólico, a partir de 2020 a complexidade das operações de transporte se acentua com as pri- meiras entregas da nova geração de aerogeradores com potência acima de 4 MW. Com pás que superam os 73 metros de comprimento e nace- les e torres mais pesadas, não é difí- cil imaginar que as estradas do pa- ís passaram a ficar menores e mais frágeis para as carretas especiais que suprem os parques eólicos em expansão. A mudança de patamar dos ae- rogeradores radicalizou os cuidados e procedimentos legais para a prepa- ração dos transportes, que já eram ri- gorosos e passaram a ser ainda mais complexos. Na verdade, o novo cená- rio provocou a mudança da legisla- ção vigente para logística de compo- nentes eólicos. Com forte atuação da Abeeólica, em dezembro de 2019, o Departamento Nacional de Infraes- trutura de Transportes (Dnit) subs- tituiu a portaria que vigorava até en- tão, a 1496/2015, por uma outra, a 7771/2019, para tirar alguns entraves comchances de dificultar o transpor- te das novas pás maiores e dos com- ponentes agora mais pesados, como naceles, hubs e torres de aço. O diretor técnico da Abeeóli- ca, Sandro Yamamoto, explica que a partir do fim de 2018 a entidade passou a rever, junto com o Dnit e a Polícia Rodoviária Federal, pontos que na antiga legislação poderiam estar defasados frente à nova rea- lidade do mercado, que projetava o uso dos aerogeradores de maior potência. O principal, e que foi re- solvido, era a obrigatoriedade, para cargas acima de 70 metros de com- primento, do acompanhamento da PRF por todo o trajeto, da porta da fábrica até os parques. Com a nova portaria, o acompanhamento será apenas na primeira ou nas primei- ras viagens, depois das quais a PRF (ou a polícia estadual) relata quais pontos do trajeto precisam ou não da sua supervisão. Para ter o respaldo das auto- ridades na reivindicação do setor, que teme atraso nos cronogramas dos projetos, já que a PRF não tem contingente suficiente para aten- der toda a demanda de transpor- te, a Abeeólica contratou uma con- sultoria, que percorreu 14 rotas no Brasil, sendo 13 no Nordeste e uma no Sul, para analisar a geometria de todas as rodovias. Com o estu- do pronto, um calhamaço próximo das 500 páginas, no qual foram re- velados os pontos mais delicados das rotas, Dnit e PRF tiveram con- dições de analisar a demanda do se- tor de dispensar o acompanhamen- to policial integral e, por fim, os ór- gãos concordaram com o pleito.
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