Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020

34 Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 GÁS NATURAL nos rentáveis como parte de seu pla- no de desinvestimentos. A alternati- va também é estudada pela Equinor, que busca soluções para comercializar a produção da descoberta de Pão de Açúcar, no bloco BM-C-33, localiza- do na Bacia de Campos.  Em outubro de 2019, a brasileira e a norueguesa fecharam um memo- rando de entendimento focado em projetos de geração termelétrica a gás natural, realização de estudos de via- bilidade sobre ativos de processamen- to de gás e escoamento de líquidos nas áreas do Terminal de Cabiúnas e do  Comperj, no estado do Rio, onde há uma unidade de processamento de gás natural (UPGN) em construção, conectada ao gasoduto Rota 3.  “Esses locais têm potencial de se tornarem relevantes polos de gás natural no país nos próximos anos”, justificou a Petrobras em co- municado divulgado à época. DESAFIOS De acordo com Rivaldo Moreira Neto,CEOdaconsultoriaGasEnergy, o maior desafio hoje para projetos de térmicas abastecidas por gás offsho- re é alcançar uma sinergia entre os requisitos dos leilões de contratação de energia e o desenvolvimento dos campos de produção. “Para avançar na monetiza- ção dos recursos de gás, é necessá- ria uma decisão estruturada sobre qual será o seu destino, inclusive para fins de cumprimento regula- tório. Por outro lado, o produtor não consegue assegurar que o pla- no, caso tenha demanda térmica como premissa, será seguido, pois não tem garantia de que o consór- cio participante do leilão de energia será vencedor”, explica o analista. Outra dificuldade para a mone- tização do gás produzido no pré-sal é justamente a falta de infraestrutura de transporte. Facilitar investimen- tos privados na construção de novas estruturas no midstream , inclusive, é um dos objetivos do “Novo Merca- do de Gás” do governo federal. Hoje, estão em estudo três novos gasodu- tos de escoamento offshore (4, 5 e 6), sendo que o projeto Rota 4 já foi sub- metido ao Ibama pela Cosan. Entre as próximas atividades previstas na agenda da ANP estão a elaboração de uma resolução sobre critérios de autonomia e in- dependência dos transportadores de gás e outra sobre interconexão entre gasodutos de transporte, previstas para serem publicadas até o final de 2020. Segundo Moreira Neto, projetos como a UTE Marlim Azul só con- seguiram sair do papel porque a estratégia de suprimento se baseia em produção existente e já assistida por infraestrutura – no caso, o ga- soduto Rota 2.  “Na prática hoje é viável apenas utilizar o gás existente, que é limita- do, ou desenvolver projetos ancora- dos na importação de GNL. Para o uso efetivo de gás de novos projetos exploratórios no pré-sal, é necessá- ria maior integração dos setores de gás e energia”, acrescenta.  Para atender ao aumento da demanda das térmicas, o país de- ve seguir recebendo investimentos em terminais de GNL. Um mapea- mento da EPE mostrou que há dez projetos em fase de licenciamento e outros onze em estudos iniciais para desenvolvimento no Brasil. Até janeiro de 2020, os três termi- nais em operação no país perten- ciam à Petrobras. n Rivaldo Moreira Neto, CEO da Gas Energy: sinergia entre leilões de energia e desenvolvimento de campos offshore desafia projetos Desafio para térmicas a gás offshore é conciliar requisitos dos leilões de energia e desenvolvimento da produção

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