Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 39 O Gás Natural Liquefeito (GNL) já vinha se conso- lidando como uma alter- nativa de entrega do mer- cado de gás, superando as distân- cias geográficas do mercado global. Agora, mesmo com a queda da de- manda, o GNL pode se tornar mais competitivo, o que estimula o de- senvolvimento de novas aplicações e sua adoção como combustível. A janela de oportunidade deve permanecer aberta pelo menos até 2023, por conta de expectativa de baixas cotações. O mercado já vi- via com excesso de oferta antes da crise do coronavírus e agora en- frenta uma nova forte queda de de- manda, que derrubou ainda mais os preços. Em fevereiro e março, o preço spot por milhão de BTU do GNL entregue no Japão chegou a US$ 3, enquanto, em janeiro, o gás natural doméstico no Brasil chega- va ao citygate entre US$ 8,5 e US$ 9,5, de acordo com fontes consul- tadas. “A partir de 2021, a demanda pode voltar a crescer, mas continu- aremos com excesso de oferta pe- lo menos nos próximos três anos”, avalia a consultora e colunista da Brasil Energia , Ieda Gomes Yell. Isso pode acelerar a adoção do GNL e abrir espaço para novos usos e tecnologias, especialmente no setor de transporte.“Isso já vinha acontecendo desde a expansão do shale gas ameri- cano, que expandiu o mercado”, ex- plica Edmar Almeida, pesquisador do Instituto de Energia da PUC--Rio e tambémumcolunista regular da Bra- sil Energia e de Cenários Gás . LIQUEFAÇÃO EMBARCADA Edmar acredita que uma das tecnologias que pode beneficiar o mercado brasileiro é o uso da li- quefação embarcada. “Seria uma forma de aproveitar melhor as re- servas offshore e evitar os custos de infraestrutura de escoamento. Esse tipo de tecnologia vem sendo aplicado em áreas de exploração na África e na Oceania”. Outra aplicação promissora é no transporte marítimo. Nesse seg- mento, o GNL já vem sendo utili- zado como alternativa em navios de passageiros no Norte da Europa, para atender às exigências de redu- ção de emissão de enxofre. “O GNL tem menos densidade energética que o bunker , mas é mais denso que o gás natural. E embo- ra ele não seja tão competitivo pa- ra algumas modalidades de trans- porte marítimo, porque você per- de espaço com a tancagem, ele é uma opção interessante em alguns segmentos, como embarcações de apoio para a indústria do petró- leo, cabotagem e navios de contê- iner, que transportam cargas com maior valor agregado”, explica Ale- xandre Szklo, professor do Progra- ma de Planejamento Energético da Coppe-UFRJ. No Brasil, opina Szklo, o poten- cial para aproveitamento do GNL em navegação é maior na cabota- gem do que nas rotas de longa dis- tância, pois a navegação de longo curso no Brasil é, em grande parte, graneleira. COMBUSTÍVEL DE CABOTAGEM Por outro lado, a cabotagem de cargas de maior valor agregado vem crescendo nos últimos anos, substituindo em parte o transporte por caminhões a diesel. Szklo acre- dita que o GNL poderia ser utiliza- do nesse segmento de navegação, de forma competitiva. “Estimamos um mercado de GNL equivalente a 5 milhões de m³/d de gás natural para uso em cabotagem no Brasil”. A cabotagem, por sinal, faz par- te da estratégia das empresas para a comercialização do GNL. Um dos principais players no mercado de gás natural liquefeito, a Golar Po- wer, por exemplo, planeja distri- buir o excedente de seus terminais por navio, em operações de peque- na escala, interiorizando o gás por caminhão até unidades de regasei- ficação de pequeno porte. Uma alternativa para o trans- porte de GNL por caminhão são os chamados ISO Conteiners, con- têineres criogênicos que podem ser colocados sobre os veículos. A solu- ção vem sendo utilizada com suces- so em países da América Central. “A Um mercado em formação no Brasil surge como potencial destino para o gás associado do pré-sal ou da importação do GNL a preços globalmente competitivos

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