Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020
40 Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 GÁS NATURAL vantagem é que isso poderia reduzir o custo do investimento em tubu- lações criogênicas em terra”, expli- ca Ieda Yell. Ela observa, no entanto, que os contêineres criogênicos ain- da são uma tecnologia nova, utiliza- da em nichos de mercado, e por is- so ainda têm pouca escala. “Mas es- se ganho de escala é mais um desafio comercial do que técnico”. O transporte rodoviário, por outro lado, é um nicho importan- te para o uso do GNL como com- bustível. E as empresas já estão de olho nessa oportunidade. “O GNL já vem sendo usado no transporte rodoviário em mercados como os Estados Unidos e, na China, a frota de caminhões a GNL já chega a 300 mil veículos”, observa Edmar. GNL NA ESTRADA Enquanto isso, no mercado brasileiro, a Scania já deu início à produção de caminhões mo- vidos a GNL e os primeiros ve- ículos estão sendo testados pe- la Ambev, em entregas de longa distância. Ao mesmo tempo, em parceria com a Golar Power La- tin America, a Alliance GNLog vem realizando testes de roda- gem com caminhões movidos a GNL, produzidos pela chinesa Shacman, e não descarta a pos- sibilidade de, no futuro, fabricá- -los no Brasil. Ieda Yell, lembra, no entanto, que ainda há desafios a serem ven- cidos para tornar o GNL uma alter- nativa real no transporte de carga. “Para que esse mercado realmen- te funcione, é preciso contar, entre outros, com infraestrutura de abas- tecimento nas estradas”. O uso do GNL no transporte urbano é um pouco mais proble- mático, apontam os especialis- tas. Além dos gargalos do abas- tecimento, que precisariam ser resolvidos, há a questão da re- venda dos veículos. Geralmente, os ônibus de grandes centros ur- banos têm vida útil de três anos e depois são revendidos, muitas vezes, no interior do país. Como não há abastecimento de GNL ou mesmo de GNV em grande parte do território, a revenda do veícu- lo fica limitada a certas praças, o que prejudica a rentabilidade ao longo de todo o ciclo desse mer- cado consumidor. RISCOS E DESAFIOS Mas o GNL tem outras van- tagens e uma delas é seu menor potencial poluente no transpor- te. Szklo, no entanto, alerta que, embora haja redução nas emis- sões de enxofre e de particulados, os motores a GNL podem emitir até cinco vezes mais NOx que os modernos motores a diesel. “Isso é um desafio no segmento dos ca- minhões. A instalação de contro- les de NOx, que não constituem problema em um navio de contêi- neres, ocupa espaço útil e aumen- ta o peso dos veículos.” Está também em estudos o uso do GNL em células a com- bustível, para gerar hidrogênio usado na motorização dos veícu- los. “Na prática, seria um cami- nhão elétrico, mas abastecido pe- lo gás, com um sistema de moto- rização mais leve.” Como se vê, as oportunidades de desenvolvimento são tão gran- des quanto os desafios. Resta espe- rar que as cadeias produtivas do gás e da indústria saibam apro- veitar o momento de abertura do mercado nacional e o preço atra- ente do GNL para impulsionar es- sas novas tecnologias. n Parceria da Ambev com caminhões 100% a GNL no interior de São Paulo
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