Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 43 fan e mantê-lo em operação por seis meses, liberando a unidade de produção na sequência. Como o teste de Sergipe entrou em opera- ção no final de fevereiro, o crono- grama previa a continuidade das atividades até agosto. Com o incidente e a antecipação da decisão, Petrobras e BW Offsho- re começaram a trabalhar no des- comissionamento do FPSO e do poço 3-BRSA-1178D-SES (3-SES- -176D), que estava interligado ao sistema. O contrato de afretamento da unidade de produção expira no final de abril, e as empresas farão uma extensão contratual temporá- ria de menos de 30 dias apenas pa- ra garantir o término da operação. MOTIVAÇÕES A decisão de descontinuar a sistemática de TLDs é atribuída ao nível de conhecimento acumu- lado pela Petrobras no cluster, aos bons resultados dos reservatórios da região e à estratégia determina- da pela gestão de Roberto Castello Branco de concentrar o portfó- lio de E&P no pré-sal. Focada no polígono, a petroleira não dispõe mais de um número expressivo de áreas que justifiquem a continui- dade em carteira de FPSOs para a realização de testes que requeiram respostas antecipadas dos reserva- tórios para planejamento dos sis- temas definitivos. Há também o fato de que o afre- tamento de FPSOs de menor por- te é, comparativamente, mais ca- ro que o de unidades definitivas de grande porte, tendo em vista as ca- pacidades produção de cada siste- ma. Enquanto FPSOs de 180 mil bopd foram afretados pela petro- leira brasileira com taxas diárias ao redor de US$ 750 mil, unidades voltadas a TLDs, com plantas de 30 mil bopd a 50 mil bopd, chegaram a ser contratadas por valores que variam de US$ 250 mil/d a mais de US$ 300 mil/d. Em tempos de crise e com a Petrobras adotando uma série de medidas de resiliência para enxu- gar custos, o problema operacio- nal no TLD de Farfan veio “em boa hora”. Apesar do pouco tem- po do teste no principal ativo da companhia fora do pré-sal, as in- formações necessárias a auxiliar o desenvolvimento do sistema defi- nitivo foram coletadas. No lugar de seus tradicionais testes de lon- ga duração, a petroleira brasilei- ra acabou executando um teste de produção simplificado. Embora quebre uma sistemáti- ca estabelecida em 1999, com a en- trada em operação do FPSO Seil- lean, a mudança de rumo alinha a Petrobras com as práticas exerci- das pela maioria das grandes pe- troleiras estrangeiras. Em geral, Shell, ExxonMobil, BP, Equinor, ente outras IOCs, não costumam realizar TLDs nem tem em cartei- ra unidades de produção de pe- queno porte dedicadas a esse tipo de projeto, optando por partir di- retamente para o desenvolvimento definitivo do campo. HISTÓRICO DE 21 ANOS A estreia da Petrobras com TLDs começou há 21 anos no campo de Roncador, na Bacia de Campos, com o FPSO Seillean, que pertencia à extinta Reading & Bates. O “Vermelhinho”, como era apelidado no mercado, tinha capa- cidade para produzir 22 mil bopd e estocar 300 mil barris. Após sucessivos testes do Seil- lean em diversos campos ao longo da costa e diante do crescimento do número de descobertas, a área de E&P decidiu desenvolver estu- dos para afretar novos FPSOs vol- tados aos chamados sistemas de Pipa 2 e Pipa 3 (Projeto Itineran- te de Produção Antecipada). En- tre 2009 e 2010, foram incorpo- radas mais duas unidades do tipo à frota, o FPSO Dynamic Produ- cer, afretado da Petroserv, e o Ci- dade de São Vicente, responsável pela primeira produção não co- mercial de Tupi (atual área de Lu- la), em Santos. Durante alguns anos, a com- panhia chegou a ter os três FPSOs operando simultaneamente, mas, pouco tempo depois, o Seillean deixou o Brasil. No início de 2017, foi a vez do Dynamic Producer ser desligado da frota, após sete anos de contrato. Capacitado para produzir 30 mil bopd e estocar 470 mil barris, o Cidade de São Vicente começou a operar para a Petrobras em 2009. A unidade foi responsável pelos prin- cipais testes do cluster de Santos. A Petrobras passará a con- tar apenas com o FPSO Pioneiro de Libra, – fretado pelo Consór- cio Teekay/ Ocyan desde o final de 2017. A unidade foi contratada pe- lo Consórcio de Libra, formado pe- la petroleira brasileira, Shell, Total, CNPC e CNOOC, para operar no ativo por 12 anos, até 2029. O FPSO realiza, hoje, a segunda campanha no projeto de Libra, de- vendo testar um novo poço até o fi- nal de 2020. O contrato prevê pos- sibilidade de cancelamento a partir do sexto ano, mediante pagamento de multa pelo contratante. n

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