Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

46 Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 EFEITOS DA COVID de cortes, como aconteceu na últi- ma crise, quando foi o único man- tido intacto. Em termos comerciais, a opção pela estratégia do diferimento par- cial de pagamento utilizada para re- negociação dos contratos de sondas e FPSOs foi bem vista pelas empre- sas de ambos os segmentos. A ava- liação é que o estrago poderia ser ainda maior se a petroleira impuses- se corte nas taxas de afretamento ou paralisação dos contratos. PROPOSTA AMARGA Na área de lançamento de li- nhas submarinas, a Petrobras propôs que Sapura, Subsea 7 e Te- chnipFMC coloquem, cada uma, dois de seus contratos em  stand by  até o final do ano, indicando ainda a necessidade de renegocia- ção das taxas diárias para o pa- tamar médio de US$ 170 mil/d – valor de um dos contratos atual- mente em vigor. A frota de PLSVs da Petrobras é composta por 13 barcos de lan- çamento, sendo cinco da Sapura, quatro da TechnipFMC e quatro da Subsea 7 – a maioria com taxas diárias girando em torno dos US$ 300 mil. Obtendo êxito nas nego- ciações, a petroleira ficaria com apenas nove barcos, com os con- tratos suspensos voltando a vigo- rar em 2021. Especialistas temem que algumas empresas não tenham fôlego para absorver as medidas restritivas da Pe- trobras. No caso da Subsea 7, a medi- da imporia redução de 50% da fro- ta contratada. Por outro lado, não há dúvida que a petroleira não tem de- manda para tantas embarcações, so- bretudo diante do corte de investi- mentos já aprovado para 2020. Com os projetos do pré-sal per- formando cada vez melhor e pro- piciando a redução do número de poços, a avaliação é que a frota de 13 PLSVs passou a exceder a de- manda, até mesmo antes das medi- das de resiliência. FLOTÉIS PARALISADOS Em outra frente, a Petrobras ne- gocia a interrupção imediata das atividades das cinco UMSs que in- tegram sua carteira no momento: Safe Eurus e Safe Notos, da Prosafe; OOS Tiradentes, da CIMC; Aqua- rius, da Sembcorp Marine; e Posh Xanadu, da Posh. Durante a nego- ciação, a petroleira decidiu reque- rer ainda desconto nas taxas de afretamento. A companhia quer que as em- presas suspendam os trabalhos por quatro meses, período que será es- tendido após o final do prazo con- tratual original. Enquanto as ativi- dades estiverem interrompidas, a Petrobras fornecerá o diesel às uni- dades, que serão mantidas com tri- pulação reduzida. QUEDA DE BRAÇO Nas reuniões virtuais realiza- das com executivos e represen- tantes de empresas dos cinco seg- mentos, os gerentes da Petrobras que lideram as negociações têm pedido a colaboração dos forne- cedores para  atravessar o mo- mento delicado. Sem mencionar qualquer infor- mação sobre juros, a petroleira ga- rante a continuidade dos contratos, o que, em tempos de crise aguda, pode ser visto como espécie de contrapar- tida, já que algumas companhias op- tampor recorrer à justiça a fimde as- segurar o cancelamento de contratos com base no recurso de força maior. Ainda que a Petrobras tenha vantagem de ser a contratante em tempos de crise, deve haver que- da de braço pesada entre as partes, com alguns fornecedores impondo resistência. Não se pode perder de vista que muitas unidades afretadas estão financiadas e que, por conta disso, qualquer acordo demandará o aval das entidades garantidoras. No caso das empresas em recupe- ração judicial, as negociações preci- sarão ser previamente validadas pe- los representantes legais. Deflagradas no início de abril, as negociações são conduzidas por equipes da Petrobras do Rio de Janei- ro e de Macaé, vinculadas à Gerência Executiva de Suprimentos de Bens e Serviços. Depois de três semanas, fontes envolvidas no processo reve- lam que a petroleira já demonstra certa flexibilidade nas negociações. Cumprida a primeira leva de negociações focadas nos segmentos de FPSOs, sondas, UMSs, barcos de lançamento e embarcações de apoio, a petroleira poderá se voltar a outros segmentos, caso a crise ga- nhe contornos ainda mais fortes. n A semissubmersível Norbe VI, da Ocyan, começou a operar para a Petrobras em janeiro

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