Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 45 A avaliação é que, em termos ge- rais, a crise tende a afetar mais as em- presas de perfuração e de lançamento de linhas, segmentos que ainda não tinham se recuperado do último ba- que do setor. Especialistas projetam uma nova onda de incorporações na área de perfuração, a exemplo de movimentos ocorridos no passado. Em abril, as ações da Transocean despencaram para menos de US$ 1, enquanto a Diamond Offshore – ti- da como um dos grupos estrangei- ros de perfuração mais fortes – en- trou em “Chapter 11”, o equivalen- te norte-americano ao pedido de recuperação judicial. Tradicionalmente mais “voláteis”, gruposmultinacionais como Schlum- berger, Halliburton e Baker Hughes crescem e encolhem de acordo com os rumos do mercado, contratando e demitindo para se adequarem à reali- dade de cada momento. PENTE FINO Nas negociações, a Petrobras es- tá levando em consideração as par- ticularidades das atividades e as condições econômicas de seus con- tratos em vigor. Na primeira leva, a petroleira decidiu priorizar contra- tos com empresas de FPSOs, sondas, Unidades de Manutenção e Serviço (UMSs), barcos de lançamento de linhas (PLSVs) e de apoio. No caso das sondas, a compa- nhia sugeriu um deferimento mé- dio de 15% no pagamento das ta- xas diárias das unidades já em ope- ração, no horizonte de maio a de- zembro. O valor retido pela petro- leira será restituído às empresas en- tre maio e dezembro de 2021. Para as unidades já afretadas, mas que ainda estão por iniciar ati- vidades em 2020, a proposta é que comecem  a operar apenas no se- gundo semestre. Hoje, a Petrobras tem em carteira 20 sondas – sendo que a Carolina e Vitória, da Petro- serv, a Alpha Star e Atlantic Star, da Constellation, ainda não entraram em operação – além das quatro da Sete Brasil que aguardam assinatu- ra do contrato (Urca, Frade. Guara- pari e Arpoador). A maior parte dos contratos de sondas assinados em 2019 gira abaixo dos US$ 170 mil/d. No en- tanto, alguns foram fechados por US$ 135 mil/d. Os acordos em vi- gor foram firmados com a Transo- cean, Petroserv, Diamond, Ocyan, Constellation, Seadrill e Etesco. As brasileiras Constellation e Ocyan têm o maior número de contratos, somando 11 unidades. As taxas mais baixas são da Constellation. A Ocyan, por ter contratos antigos e não ter partici- pado da renegociação de 2014, lide- ra a lista das taxas mais altas, próxi- mas do patamar de US$ 300 mil/d, ao lado da Diamond. As empresas de perfuração tra- balham no limite de suas margens, sem gordura para cortar após os anos de prejuízo impostos pela cri- se de 2014. Enquanto a Constella- tion enfrenta processo de recupe- ração judicial, multinacionais co- mo a Seadrill e a Pacific Drilling e a brasileira Ocyan ainda buscam se recompor no mercado depois de anos difíceis. MAIS LEVES Das cinco frentes de renegocia- ção abertas até o momento, a dos FPSOs é, sem dúvida, a menos du- ra. A proposta da Petrobras é reter 4,8% do pagamento das taxas diá- rias entre maio e dezembro, efetu- ando a compensação dos montan- tes nos mesmos meses de 2021. As rodadas virtuais de negocia- ção são feitas comModec (oito con- tratos), SBM (seis), Teekay/Ocyan (dois), Saipem (um) e Teekay (um). O único grupo a ficar de fora foi a BW Offshore, uma vez que o con- trato de afretamento do FPSO Cida- de de São Vicente está para vencer. A convocação das operadoras de FPSOs reforça o peso da atual crise sobre os indicadores financei- ros da Petrobras. Como as unida- des de produção garantem reforço ao caixa da companhia, tradicio- nalmente o segmento é poupado O navio-sonda DS Carolina, da Petroserv, é um dos equipamentos que poderão ter início de operação adiado

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