Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

48 Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 EFEITOS DA COVID A pandemia da Covid-19 mexeu coma sistemática de embarque de trabalhadores brasileiros no offshore. Vi- sando evitar a disseminação do novo coronavírus e a consequente paralisa- ção de unidades marítimas, empresas e entidades do setor saíram a campo para defender a flexibilização da jor- nada de 14 por 14 dias – ou de 14/21, no caso da Petrobras –, obtendo aval das autoridades para implementar turnos de 21/21 ou até 28/28 dias. Afora a preocupação com a expo- sição dos trabalhadores e a preserva- ção da saúde a bordo, a indústria ale- ga que vem sendo cada vez mais difí- cil organizar a logística de embarque. “Estamos buscando nos anteci- par ao problema. Se a escala de tra- balho fosse mantida do jeito que estava, o impacto seria gigantes- co, não teríamos gente para repor quando tivesse pessoal contamina- do, e, aí, a produção seria paralisa- da”, explica o diretor-presidente da Abespetro, Adyr Tourinho. Com os aeroportos do exterior reduzindo e cancelando as rotas para o Brasil, muitos estrangeiros que tra- balham embarcados no país enfren- tam problemas para sair e ingressar no território. Além da logística aé- rea, há a questão da quarentena: com a exigência de isolamento social de sete a 14 dias antes e depois dos em- barques, o cumprimento da escala de 28/28 dias dos estrangeiros se mostra cada dia mais difícil – o que amplia a necessidade de reposição por profis- sionais brasileiros. A logística aérea doméstica e de hotelaria também tem, contudo, difi- cultado o embarque de trabalhadores brasileiros que moram em outros es- PANDEMIA ALTERA ROTINA DO TRABALHO OFFSHORE Petroleiras, entidades de classe e autoridade flexibilizam jornada em plataformas e embarcações, reacendendo debate sobre o tema POR CLÁUDIA SIQUEIRA Trabalhadores em plataforma marítima: turnos de até 28 por 28 dias avalizados pelas autoridades

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