Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 49 tados, ainda que proporção bemme- nor. Muitas companhias de aviação têm reduzido o número de voos in- ternos, enquanto hotéis de Cabo Frio (RJ) – importante base de apoio aé- reo aos projetos offshore – pararam de receber hóspedes, medida que foi flexibilizada após assinatura de de- creto pelo prefeito da cidade, Adria- no Moreno, no mês de março. O nó na logística offshore foi tão impactante que algumas empresas de perfuração com sondas em operação na Bacia de Campos se viram força- das a fazer as operações de embarque no aeroporto de Jacarepaguá (RJ), normalmente utilizado para as ati- vidades da Bacia de Santos. As ope- rações da indústria de Campos são apoiadas por Cabo Frio e Macaé, no estado do Rio. IMPACTOS A alteração do regime de trabalho offshore começa a mudar a dinâmi- ca das unidades marítimas. Quantita- tivamente, o número de estrangeiros trabalhando em plataformas no Brasil não é tão expressivo, mas grande par- te deles ocupa postos de comando. No caso dos FPSOs afretados,mais dame- tade dos postos de capitães está sob a liderança de estrangeiros.Comsete na- vios-plataforma em operação no país, a SBM, por exemplo, tem 14 capitães, dos quais nove são estrangeiros. Algumas empresas têm adotado o regime de 21/21 dias, utilizando sete dias de isolamento social antes do embarque. Na prática, porém, os funcionários seguem trabalhan- do embarcados apenas 14 dias. Preocupada com o problema, a Equinor suspendeu no início de abril a operação de completação de um novo poço no campo de Pere- grino, na Bacia de Campos. Mesmo diante das iniciativas, a pandemia ganha espaço no offshore. Logo no início da crise, empresas co- moOcyan, Petrobras, entre outras, re- gistraram suspeitas de pessoas conta- minadas emsuas unidadesmarítimas. Em meados de abril, SBM e Mo- dec montaram operações de guerra para conter a pandemia respectiva- mente no FPSO Capixaba, instalado no Parque das Baleias, na Bacia de Campos, e no FPSO Cidade de San- tos, na Bacia de Santos. As unidades tiveram as atividades paralisadas e precisaram ser higienizadas por em- presas especializadas. No caso do Capixaba, mais de 50% da equipe testou positivo para Covid-19. REAÇÃO SINDICAL Enquanto empresas, entidades do setor e autoridades se mostram alinhados em relação ao tema, sin- dicatos questionam a legalidade da mudança do regime, argumentando que a medida fere o acordo coleti- vo e que teria que ter sido negociada previamente com a categoria. O co- ordenador da FUP, José Maria Ran- gel, argumenta que o novo prazo de 21 dias a bordo é muito pesado. “Para nós, é uma medida mui- to preocupante. Está provado por A mais B que, a partir do 14º dia de embarque, as pessoas já começam a perder a paciência, a concentração e a ficar mais irritadas”, alerta Rangel. Também preocupado com a mu- dança, o Sindipetro-Norte Flumi- nense, coordenado por Tezeu Bezer- ra, protocolou nova proposta para a Petrobras em abril, propondo a ado- ção de um regime de 14/28. AÉREO TRANSFORMADO Atenta ao crescimento do nú- mero de casos suspeitos nas plata- formas, a Omni Táxi Aéreo adap- tou aeronaves para o transporte de trabalhadores do setor de óleo e gás. Alguns helicópteros da frota foram transformados em aeronaves sanitá- rias, sendo equipadas commacas, li- mitação do número de assentos pa- ra passageiros, ventilação forçada na cabine e cortina protetora para iso- lar a cabine de passageiros do cock- pit dos pilotos, além de equipe mé- dica e de enfermagem a bordo. As tripulações que atendem a esses voos atuam de máscaras e ma- cacões protetores. Após cada via- gem, as aeronaves passarão por um processo de assepsia minuciosa. As novas operações serão moni- toradas por um comitê interdiscipli- nar formado pela diretoria da Ommi e profissionais das áreas de Aviação, Saúde e Óleo & Gás. O grupo acom- panhará e orientará as ações. n Equipe de técnicos da Omni Táxi Aéreo

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