Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020
52 Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 EFEITOS DA COVID A ABPIP (Associação Bra- sileira de Produtores In- dependentes de Petróleo e Gás Natural) e a Onip (Organização Nacional da Indús- tria de Petróleo) estão atuando pa- ra que o governo e a ANP dispen- sem um tratamento diferenciado às atividades onshore – segmento que já opera com margens reduzi- das – em meio à forte queda dos preços do barril. Entre as ações defendidas estão a suspensão da cobrança da parcela de royalties da União e a promoção de uma articulação com a Petro- bras para garantir que os descontos impostos pela petroleira nas opera- ções de compra e venda de óleo não ultrapasse 10%. As organizações pleiteiam ain- da a manutenção, de forma remo- ta, das reuniões do Reate 2020, que foca na revitalização das atividades terrestres, e da revisão de prazos de licenciamentos e multas. “É fundamental que as institui- ções sinalizem que estão atentas à condição do onshore brasileiro. Esse setor precisa de uma regula- ção mais simplificada e desburo- cratizada, além da automatização de processos e revisão de prazos”, afirma Karine Fragoso, diretora- -geral da Onip. No início de abril, o secretá- rio-executivo adjunto Bruno Eus- táquio do MME, Bruno Eustá- quio, revelou, durante webinar, que o governo estava avaliando reduzir os percentuais de royal- ties de campos marginais durante a crise econômica. “Pretendemos implantar uma solução em curto prazo”, disse o dirigente, assinalando que não es- tá em pauta a suspensão da co- brança pelo governo federal. “Essa já seria uma medida muito agres- siva. Agora, temos que pensar em soluções moderadas e moduladas, devido à instabilidade do cenário”, justificou. Apesar das dificuldades para atrair investimentos diante do fo- co da Petrobras no pré-sal, a pro- dução terrestre no Brasil cresceu nos últimos anos. Após registrar médias anuais entre 232 mil boed e 240 mil boed de 2014 a 2018, o vo- lume extraído em terra em 2019 foi de 252,7 mil boe/d, subindo para 291,5 mil boed até fevereiro deste ano. A evolução em 2020 depende- rá fundamentalmente da resiliência dos projetos de E&P no país duran- te a crise. PROJETOS Passada a pandemia da Co- vid-19, a expectativa é que as ativi- dades terrestres se concentrem em áreas adquiridas pelo programa de desinvestimentos da Petrobras, as- sim como pelo primeiro ciclo da Oferta Permanente da ANP e anti- gas rodadas de campos marginais. São projetos localizados nas bacias Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Ala- goas, Espírito Santo, Amazonas, Solimões e Parnaíba. A Petromais, que arrematou os campos de Mosquito, Saíra, Ti- ziu e Fazenda Gameleira nas ba- cias do Espírito Santo e Potiguar no ano passado, aguarda licença do Ibama para iniciar operações. Há planos de intervenções em dez poços com investimento estima- do entre R$ 5 e R$ 8 milhões. O objetivo é avaliar o potencial de cada campo, o que irá nortear os investimentos futuros da compa- nhia, que estuda migrar para a área de geração de energia elétri- ca no futuro. “Esperamos que os investimen- tos aconteçam ainda em 2020, mas estamos, como toda a sociedade, à espera dos avanços da ciência e go- vernos no combate a pandemia”, pondera Luiz Felipe Coutinho, di- retor da companhia. A norte-americana Petro-Vic- tory, que arrematou 16 blocos e o campo de Trapiá, na Bacia Poti- guar, em 2019, reavaliará os 28 po- ços perfurados nas áreas, além de reprocessar e mapear dados sísmi- cos. Na sequência, serão classifica- dos possíveis alvos para definir um programa de perfuração. Já a Potiguar E&P, braço da Pe- troRecôncavo, começou a deslo- car sondas para realizar atividades nos 34 campos que faziam parte do Polo Riacho da Forquilha, no Rio Grande do Norte, comprado da Pe- trobras no ano passado. No Recôncavo, a Maha pretende perfurar dois poços para ampliar a produção no campo de Tiê. Além disso, a empresa sueca tem planos de perfurar no campo de Tartaruga, na Bacia de Sergipe-Alagoas. A Imetame aguarda a emissão de licença ambiental para iniciar as atividades de reabilitação no campo Bela Vista, no Recôncavo – área arrematada em 2015. O cro- nograma dos trabalhos não foi al- terado pela conjuntura do merca- do, informou a companhia à Bra- sil Energia . A Rosneft e a Eneva seguem conduzindo sete planos de avalia- ção de descoberta cada uma nas bacias do Solimões e do Parnaíba, respectivamente. Em outra frente, a brasileira está mobilizando uma sonda para perfurar no campo de
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