Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020

Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 53 Azulão, na Bacia do Amazonas, comprado da Petrobras. Além dos impactos da crise glo- bal, as empresas do segmento estão preocupadas com o futuro de sua interlocução com a ANP. Há apre- ensão quanto à possibilidade de transferência da Coordenadoria de Áreas Terrestres (CAT) da agência para a Superintendência de Desen- volvimento da Produção. “Tínhamos uma relação mui- to clara e transparente para ar- gumentar sobre o que precisava ser discutido. Esta extinção seria um retrocesso”, afirma o secre- tário-executivo da ABPIP, Ana- bal dos Santos Júnior. Segundo o executivo, a abertura de uma coordenação exclusiva para ati- vidades terrestres foi um pleito de mais de 15 anos que ajudou a priorizar o tema dentro do ór- gão regulador. PORTFÓLIOS INTEGRADOS Com a crescente oferta de áreas onshore , pequenas e médias petro- leiras tendem a integrar seu portfó- lio de ativos maduros e marginais e blocos exploratórios. A estratégia contribui para a resiliência e finan- ciabilidade das operações, na medi- da em que se consegue entrada na produção em um curto espaço de tempo e sinergia entre os projetos de uma mesma bacia. Esse é o caso da Imetame, que, hoje, opera 11 campos, além de 10 blocos. “Os campos marginais são fundamentais para oxigenar em- presas como a Imetame Energia,” afirmou a companhia via assesso- ria de imprensa. A Petro-Victory enxerga oportunidades em campos mais antigos devido ao menor risco geológico, infraestrutura exis- tente e possibilidade de aplica- ção de técnicas para aumentar a produção. A petroleira tem 50% de participação nos campos de Lagoa Parda, Lagoa Parda Norte e Lagoa Piabanha, operados pela Imetame no Espírito Santo, e de Carapitanga, em Sergipe-Alago- as, e São João, em Barreirinhas, operados pela Engepet. Como operadora, atua em Andorinha, Trapiá e Alto Alegre, na Bacia Po- tiguar, onde também possui 16 blocos exploratórios. Já a Great Energy prevê inves- tir cerca de R$ 10 milhões na in- tervenção de poços área de Lagoa Verde, no Recôncavo, onde ain- da opera três blocos explorató- rios. A empresa ingressou no E&P em 2016 – antes disso, sua atua- ção se limitava à operação de son- das, desenvolvimento de fluidos de perfuração e prestação de ser- viços relacionados. DESAFIOS Os perfis das áreas escolhidas pelas estreantes no onshore guar- dam diferenças entre si. Enquanto campos maduros são definidos por um critério técnico, que diz respei- to às áreas que se encontram em queda natural de produção, cam- pos marginais são definidos por critérios econômicos, referindo-se principalmente à perda de rentabi- lidade para o operador. “A operação em campos ma- duros ou marginais demanda muita responsabilidade e com- promisso, pois esses projetos po- dem envolver instalações antigas, poços completados, dutos e ou- tras situações que necessitam de atenção, especialmente ambien- tal. Portanto, a empresa deve con- tar com equipe técnica capacitada para lidar com esse tipo de ativo”, explicou a Imetame. Outra dificuldade é o acesso à cadeia de fornecedores, cujo foco sempre foi o atendimento à Pe- trobras, além da necessidade de desenvolvimento de soluções pa- ra o transporte e a comercializa- ção da produção. n Karine Fragoso, da Onip: instituições têm de sinalizar que estão atentas à condição do onshore brasileiro Bruno Eustáquio, do MME: Governo estuda reduzir royalties durante a crise. Anabal dos Santos Junior, da ABPIP: futuro da interlocução com a ANP preocupa

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=