Brasil Energia | Ed. 462 - Abril, 2020
Brasil Energia , nº 462, 30 de abril de 2020 55 Clarissa Lins, do IBP, e Adyr Tourinho, da Abespetro: consenso na saúde, dissenso na área comercial Passado mais de mais um mês de isolamento social no Brasil, quais as principais lições aprendidas? Clarissa Lins – O primeiro aprendizado é a ca- pacidade de mobilização e pré-disposição de coo- peração para compartilhar as melhores práticas de saúde, proteção dos colaboradores e prestação con- tínua de serviços essenciais. O IBP formou um co- mitê de crise, a Abespetro se juntou, e, com isso, podemos aprender, reagir e influenciar mais que individualmente. Como indústria, o aprendizado é que a incerteza é tão grande que não dá para traba- lharmos com horizonte de planejamento de uma forma regular. Adyr Tourinho – Algo que ficou muito forte foi o espírito de colaboração. Cada vez mais as restrições de mobilidade se tornaram uma bar- reira, assim como o surgimento de casos sinto- máticos, e a combinação disso passou a gerar di- ficuldade cada vez maior de manter as operações. O legado desse trabalho é a colaboração e o su- cesso que estamos alcançando na condução da crise, com prioridade nas pessoas e na integrida- de das operações. Já é possível perceber o que é preciso ser corrigido? CL – Talvez um dos grandes aprendizados seja como preparar as empresas e a indústria, de for- ma geral – quem sabe a sociedade e governos – a riscos de altíssimo impacto e baixíssima probabi- lidade. O outro é como aumentar a resiliência. Se pudéssemos fazer diferente, certamente trabalharí- amos como uma indústria que sobrevive cada vez mais a preços mais baixos, com capacidade para re- sistir por um longo período a um efeito adverso co- mo este de um barril em torno de US$ 20. AT – Se há uma lição que estamos aprendendo é que, sozinhos, não podemos sair desta crise. Temos que estar preparados para reagir. As empresas que conseguirem sair deste abismo em que estamos ago- ra sairão mais fortalecidas e pré-dispostas a trocar experiências. Apesar da imprevisibilidade, os senhores têm uma projeção sobre o novo patamar de preço do barril? AT – Estamos vivendo uma nova crise de oferta e demanda, mas em uma escala totalmente diferen- te. A OPEP+ fala em uma redução de 9,7 milhões
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