Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020
16 Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 NEGÓCIOS maiores oportunidades para inves- tidores que tenham financiamento em euro ou dólar, bem como para investidores especialistas em ativos estressados. Moura avalia também que no futuro próximo podem sur- gir processos de venda de projetos que tenham sido originados como consequência da crise econômica. PROCESSOS O presidente da AES Tietê, Ítalo Freitas, disse a Reuters que a compa- nhia tem avaliado diversas oportuni- dades de aquisições, tanto de ativos de geração já em operação quanto de carteiras de projetos de energia eóli- ca e solar para implementação futu- ra. “Nossa frente de M&A (fusões e aquisições) possui mais de 1 gigawatt em ativos operacionais em análise e em diferentes estágios do processo”, afirmou o executivo ao participar de teleconferência com analistas e inves- tidores, sem entrar em detalhes sobre os empreendimentos em estudo. Ao EnergiaHoje , o diretor de Desenvol- vimento de Novos Negócios da com- panhia, Bernardo Sacic, disse no iní- cio de março que a companhia ne- gociava a aquisição de projeto eóli- co greenfield que poderia chegar a 2 GWno RN.A própria AES Tietê vem sendo publicamente cortejada pe- la Eneva, com a sinalização de que o BNDESPar quer se desfazer de uma participação de 28% na companhia. Dentre os projetos renováveis em processo de venda já anunciada, estão os ativos eólicos da Petrobras. Em 5 de maio, a empresa iniciou a fase vinculante referente à venda de sua participação nas empresas Eóli- ca Mangue Seco 1 e Eólica Mangue Seco 2, proprietárias das usinas eó- licas Mangue Seco 1 e 2, localiza- das em Guamaré, no Rio Grande do Norte. Os empreendimentos fa- zem parte de um complexo de qua- tro parques eólicos com capacida- de instalada total de 104 MW. Cada empresa detém e opera um parque, com capacidade de 26 MW. Nessa fase, os potenciais com- pradores receberão carta-convite com instruções sobre o desinvesti- mento, o que inclui orientações pa- ra a realização de due diligence e pa- ra envio das propostas vinculantes. Também está em curso a fase não vinculante para venda conjunta da totalidade das ações da Petrobras nas empresas EólicaMangue Seco 3 e Eó- lica Mangue Seco 4, com expectativa de início da fase vinculante nas pró- ximas semanas. A estatal detém 49% de participação nas empresas e rea- lizará a venda em conjunto com sua sócia, aWobbenWindpower, que de- tém os 51% restantes. A Petrobras informou que as ope- rações estão alinhadas à otimização do portfólio e àmelhorade alocaçãodo ca- pital da companhia, visando à maximi- zaçãode valor para os seus acionistas. Na Mangue Seco 1, Petrobras e Alubar Energia possuem, respecti- vamente, 49% e 51% de participa- ção. Já na Mangue Seco 2, Petro- bras e Eletrobras detêm, respectiva- mente, 51% e 49% de participação. O conselho de administração da Eletrobras aprovou, em 11 de maio, a oferta vinculante de R$ 33 mi- lhões pelo Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Pirineus para aquisição de todas as ações da estatal na Eólica Mangue Seco 2. A assinatura do contrato de compra e venda é condicionada à análise de Aneel, Cade e credores. Já a EDP, através da EDP Grid, te- ve a aquisição do controle integral da UFV SP V Equipamentos Fotovol- taicos, empresa que opera duas usi- nas solares de geração distribuída em Taubaté (SP), aprovada peloCade em 12 de maio. A UFV SP é controlada pela GDSolar, holding que controla outras empresas atuantes em geração distribuída, com parcerias com Ma- gazine Luiza, Itaú e Oi, além da en- trega de, pelo menos, quatro usinas fotovoltaicas em Minas Gerais, que totalizam 20,5 MW de potência. De acordo com o ato de concen- traçãopublicadopelo conselho, a ope- ração configura “oportunidade para o Grupo EDP desenvolver novos proje- tos de geração distribuída fotovoltai- ca no Brasil, expandindo o seu par- que de geração renovável e atraindo novos clientes”. No caso da GD Solar, a transação representa concretizaço de uma de suas principais atividades: construço e instalaço de usinas fo- tovoltaicas para posterior revenda. n Camila Ramos, diretora da CELA: 3 GW de ativos com PPAs no mercado James Elis, da BloombergNEF: investidores em risk-off, devem fechar negócios no médio prazo
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