Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020
20 Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 PETRÓLEO manter a programação original de perfuração para 2022. Apesar da crise sem precedentes, não há expectativa de devoluções em larga escala de ativos de grande por- te, ainda que alguns especialistas não descartem a possibilidade de rearran- jos pontuais de portfólios. Umdos ca- sos considerados possíveis nesse senti- do é o da Bacia de Barreirinhas, onde existem 19 blocos sob concessão, sen- do dez operados pela Shell (herdados com a aquisição da BG), quatro pela Charriot, três pela Petrobras, um pela BP Energy e um pela Ouro Preto. PETROBRAS, SHELL E EQUINOR Aexpectativa é que a Petrobras re- force seu plano de desinvestimentos, com projetos mais robustos e atrati- vos. A avaliação é sustentada pelo fa- to de a petroleira brasileira ter redu- zido seus investimentos e ainda estar sob a ameaça de ter seu caixa afetado pela desvalorização do valor de ativos no processo de venda, em função da baixa do preço do barril. O cenário de resiliência, que im- pôs um corte de investimentos da estatal brasileira à área de E&P, de US$ 8,4 bilhões para US$ 7,1 bilhões, ameaça postergar também projetos ainda não assinados, como Parque das Baleias, na Bacia de Campos, e Sergipe-Alagoas (águas profundas). A Petrobras mantinha, até o fe- chamento desta matéria, no fim de junho, dez sondas em atividade – pelo menos metade delas nos pro- jetos de Búzios e Mero. No que diz respeito à produção, a expectativa é que a companhia siga postergan- do o desenvolvimento de alguns empreendimentos, como Espírito Santo Águas Profundas, que já fo- ra retirado do horizonte de plane- jamento até 2024. Enquanto avalia os dados obti- dos na perfuração do poço pionei- ro de Saturno, que resultou seco, a Shell segue trabalhando no proje- to de produção de Gato do Mato. A petroleira adiou a data de entre- ga das propostas para afretamento do FPSO do ativo de setembro pa- ra janeiro de 2021. Projetado para entrar em operação entre o fim de 2023 e o início de 2024, o sistema de partilha contará com uma uni- dade com capacidade para produ- zir 90 mil bopd. Já a Equinor segue trabalhan- do no desenvolvimento de Baca- lhau, projeto do cluster de Santos previsto para entrar em operação em 2024, enquanto conduz um bid para afretar uma sonda. A Modec vem desenvolvendo o projeto de engenharia do novo FPSO, e a pro- jeção é que as obras de construção da plataforma de 220 mil bopd te- nham início em 2021. ESTÁGIO DE ATENÇÃO Mais vulneráveis, as petroleiras de menor porte lutam para absorver o golpe da crise, sobretudo aquelas que investiram na compra de ativos de produção da Petrobras de menor rentabilidade. Pressionado pelo no- vo patamar do barril e por peque- na margem lucro, esse mercado terá a maioria de seus planos de investi- mentos e contratações mais pesadas engavetados até segunda ordem. Entre as empresas que planejam manter o plano de contratações está a Karoon, que pretende afretar uma sonda ancorada para realização, em 2021, de campanha de work-over em Baúna, em Santos. O grupo austra- liano segue com o planejamento de desenvolvimento da produção de Neon, em águas rasas da bacia. Independentemente dos planos isolados, a realização da Oferta Per- manente de áreas no segundo se- mestre, pela ANP, servirá de termô- metro para medir os danos causa- dos pela crise e a capacidade de res- posta das empresas. Em tempos de grande imprevisibilidade, resta es- perar para ver. n Philippe Blanchard, da Total: nível de investimento mais baixo no Brasil Petroleiras de menor porte, com ativos menos rentáveis, devem pausar investimentos e contratações, mas há exceções
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