Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020

Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 35 Fornecedores: além da smart grid Do lado da oferta para o segmento, grandes empresas competem en- tre si para desenvolver tecnologias de smart grid , tanto em hardware co- mo em software. CAS Tecnologia, Schneider, Eaton e Minsait são algumas das companhias que estão alavancando seus negócios a partir da demanda crescente das distribuidoras brasileiras. “Inicialmente as concessionárias priorizaram a implementação da so- lução no topo da pirâmide de consumo. Nos últimos anos, diversas dis- tribuidoras têm investido na implementação de telemetrias também em clientes de médio consumo e em consumidores da baixa tensão”, constata o gerente da brasileira CAS Tecnologia, Octávio Brasil. “Neste momento que estamos passando, mais do que investir continuamente nas redes inte- ligentes e na telemedição, as distribuidoras estão focadas também em in- crementar as plataformas de gestão e análise dos dados de medição, o que inclui automação de processos e inteligência artificial”, observa. “Nós acreditamos que a automação é fundamental para fazer mais com menos recursos, independentemente da situação que estamos vivendo de pandemia e quarentena”, diz Júlio Martins, vice-presidente de Power Syste- ms da Schneider Electric Brasil. Há uma explosão em nível mundial deste tipo de tecnologia. Segundo ele, “esse é um segmento em que se espera al- gum crescimento ainda este ano”. “As distribuidoras têm, finalmente, conseguido sair de projeto de P&D para pilotos e rollouts de fato, com ROI [ Return On Investiment ] comprovado”, diz Rubens Del Monte, diretor de Energia & Utilities da Minsait no Brasil, subsidiária da espanhola Indra. O executivo lembra que, olhando para a experiência europeia, a grande maioria dos rollouts em massa de medidores inteligentes foram iniciativas dos reguladores com o investimento reconhecido na tarifa e/ou repassado ao cliente. Thiago Menossi, gerente de Produto da Divisão de Power Systems da Eaton, observa que no Brasil existe uma tendência a associar o con- ceito de smart grid à medição remota de energia, somente. “Os gran- des avanços em transformar a rede de distribuição em uma rede mais inteligente ocorrem principalmente no controle para a redução de in- terrupções de energia, quando de um evento climático ou acidental de dano à rede, ou do seu rápido restabelecimento minimizando a quan- tidade de consumidores impactados pela interrupção no fornecimento de energia”, avalia. Especificamente ao tema medição, ele defende que ainda há a necessidade de um padrão universal para o hardware - tanto para o medidor como para o módulo de comunicação - e também no padrão de protocolos para essa interação do medidor com a comuni- cação, além de padronização do protocolo de comunicação do módulo de comunicação com o sistema de coleta de dados de medição, o MDC. “Essa padronização vai proporcionar a livre concorrência entre os di- versos fabricantes de medidor, de sistemas de comunicação e software para coleta dos dados de medição”, acredita. “Num momento como es- se, de pandemia, o importante é contar com a vantagem de ope- rar os sistemas sem que os téc- nicos precisem, necessariamen- te, estar nas unidades controla- das. É viável agora tomar deci- sões à distância”, ressalta Mar- cos Madureira, presidente-exe- cutivo da Abradee. Ele pondera, no entanto, que a possibilidade de ofertar outros tipos de servi- ços aos clientes das companhias, via redes inteligentes - como, por exemplo, permitir um me- lhor gerenciamento do consu- mo -, vai depender da garantia de uma remuneração adequada, algo que está em discussão com o MME e com a Aneel. n

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=