Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020
Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 49 A s empresas que contro- lam usinas de geração térmica a óleo combus- tível ou óleo diesel têm uma importante decisão a tomar: converter ou não suas instalações para o uso do gás natural. A deci- são do governo de eliminar a gera- ção térmica a óleo da matriz ener- gética e substituí-la por alternativas mais limpas faz com que esses ati- vos tenham um prazo de validade determinado pelo vencimento de seus contratos. E algumas empresas já come- çam a se movimentar nesse senti- do. A Rio Amazonas Energia S.A. (Raesa), por exemplo, já assinou contrato com a Wärtsilä Brasil, pa- ra a conversão dos motores da UTE Cristiano Rocha, no Amazonas. A usina, que usa o óleo combustível como fonte de energia secundária, deverá passar a operar exclusiva- mente com gás natural, a partir de meados de 2021. A UTE Cristiano Rocha foi inaugurada em 2006, com capaci- dade de 85,38 MW, conta com o apoio de geradores a óleo para for- necimento ininterrupto de 65 MW de energia elétrica para a cidade de Manaus, contrato vigente até 2025. A partir da conversão total, a po- tência bruta subirá para 95,75 MW, aumentando a segurança no abas- tecimento, além de reduzir o custo de operação. Enquanto isso, a Gera Amazo- nas, que controla a UTE de Ponta Negra, também no Amazonas, faz as contas para saber se vai ou não realizar a conversão. Hoje, a usi- na já opera com 94% de gás natu- ral. Segundo a empresa, a conver- são total poderia representar um investimento de R$ 100 milhões, com uma economia de R$ 1 milhão mensais em custos de operação até 2025, quando se encerraria o con- trato vigente. No entanto, até o fechamento desta edição, a decisão ainda não havia sido tomada. As alterações de preço causadas pela pandemia do novo coronavírus obrigaram a Gera Amazonas a rever seus cálcu- los, para saber se a conversão é viá- vel economicamente. Além disso, a empresa ainda não decidiu os pla- nos para depois do encerramento do contrato de geração. Enquanto isso, a Petrobras já decidiu se desfazer das usinas tér- micas movidas exclusivamente à óleo combustível ou óleo diesel, que hoje fazem parte de sua cartei- ra. A empresa incluiu em seu pla- no de desinvestimento as UTEs de Arembepe, Muricy e Bahia 1, na Bahia. Além disso, também preten- de se desfazer da UTE Canoas, usi- na bicombustível a gás e óleo diesel, no Rio Grande do Sul, e de partici- pações diretas ou indiretas em ou- tras seis usinas térmicas (Termo- cabo, Tambaqui, Jaraqui, Suape II, Manuara e Brentech). Ao mesmo tempo, a estatal avalia sua partici- pação no leilão de energia existente da Aneel, previsto pelo MME para substituir as usinas térmicas cujos contratos terminam entre 2023 e 2025, como oportunidade de ne- gócio para ampliar seu portfólio de comercialização de gás. NOVA CONTRATAÇÃO PODE SER MENOR As usinas a óleo ou bicombus- tíveis cujos contratos se encerram nesse período representam um parque gerador de pouco mais de 3 mil MW médios. Bernardo Folly de Aguiar, superintendente de Pla- nejamento de Geração da EPE ex- plica que o cronograma do leilão foi atrasado pela pandemia da Co- vid-19 e que será preciso recalcular o volume de geração a ser contrata- do. “A crise fez a demanda do mer- cado despencar”, justifica. Aguiar observa que a maio- ria das usinas a óleo e bicombustí- veis são ativos antigos, e a decisão de converter essas plantas para gás natural e participar dos leilões, vai depender de as empresas consegui- rem internalizar o custo da conver- são na taxa de retorno dos projetos. “A ideia é antecipar os leilões A-4 e A-5, de energia existente, para que o vencedor tenha um contrato que permita garantir o financiamento para o retrofit”, explica. O superintendente da EPE acrescenta que a substituição das usinas a óleo na matriz energéti- ca não será necessariamente fei- ta inteiramente com o uso de gás natural. “Outras fontes, como eó- lica ou solar, também estarão pre- sentes para reequilibrar a matriz”, conclui Aguiar. n
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