Brasil Energia | Ed. 463 - Junho, 2020

72 Brasil Energia , nº 463, 30 de junho de 2020 LOGÍSTICA DE DERIVADOS navios têm de encher, não podem sair com a metade da capacidade”, observa Paula. Entre janeiro e abril deste ano, foram transportadas 42,2 milhões de t de petróleo e deri- vados, alta de 11% em relação ao mesmo período de 2019, de acor- do com dados mais recentes da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq). Além do fato de as medidas de isolamento social terem sido imple- mentadas no Brasil no final de mar- ço, o resultado positivo se explica pela absorção do excedente pela in- fraestrutura de armazenagem. Co- mo a velocidade de redução da de- manda foi muito mais rápida que na cadeia de produção, os terminais atuaram como espécie de colchão. Hoje, há 210 embarcações licen- ciadas para operação de cabotagem no país. Segundo a Antaq, a movi- mentação de granéis líquidos apre- sentou crescimento na última dé- cada, saltando de 100 milhões de t em 2010 para 145,5 milhões t em 2019. Desse total, o petróleo bruto representou 110 milhões t e os de- rivados, 35,5 milhões t. O fluxo de petróleo e deriva- dos para exportação e importação é um importante indutor da movi- mentação de granéis líquidos entre os portos brasileiros, dinamizando a cabotagem. O Brasil importa majoritaria- mente óleo combustível, tendo os Estados Unidos, China, Argentina e Rússia como principais parceiros comerciais. Nas exportações, além do óleo combustível, o país vende petróleo cru, com destaque para a China, que recebeu, em abril, cerca de 90% das cargas de petróleo bru- to – aproximadamente 4,3 milhões de t. Também são clientes do Brasil os Estados Unidos, Chile, Espanha, Peru, Coreia do Sul, Noruega, Sin- gapura e Portugal. Houve também aumento nas exportações de derivados, em abril, com 1 milhão de t, crescimento de 89% ano a ano. Já a importação foi de 1,57 milhão de t, redução de 17,8% em relação ao mesmo mês de 2019. TRANSPETRO O transporte de petróleo e de- rivados via cabotagem é dominado pela Transpetro, que se beneficia da estrutura verticalizada da holding Petrobras, compreendendo desde a extração ao refino, armazenamento e distribuição, para ter capilaridade no transporte aquaviário. O volume de derivados movi- mentados pela subsidiária da es- tatal via cabotagem teve queda de cerca de 40% em abril, ante o mês de março, e de 60%, em compara- ção com janeiro. Já o impacto no transporte de petróleo foi menor, com redução de 9%, em relação a março, e de 18% ante o primeiro mês do ano. À Brasil Energia , a Transpe- tro explicou que realocou alguns de seus navios para o transporte de longo curso (trajetos entre países) no período, o que possibilitou man- ter 100% de sua frota em utilização. “Com a ligeira recuperação do valor do Brent, a atividade co- meça a retornar gradativamen- te ao patamar anterior à crise e a Transpetro está pronta, mais uma vez, para redirecionar sua frota”, afirmou a companhia via assesso- ria de imprensa. A frota de cabotagem da em- presa é composta por dez navios de produtos claros (para deriva- dos), 16 suezmax, 12 aframax, três panamax, além de oito gasei- ros com capacidade total de 5,5 milhões de m³. Em junho, a Transpetro adicio- nou à sua frota o Eagle Petrolina, o primeiro dos quatro navios-tan- que com posicionamento dinâmico (DP2) Suezmax. As embarcações foram afretadas junto à AET (ex- -American Eagle Tankers). A em- presa já opera para a estatal o Eagle Paraíba e o Eagle Paraná. OPORTUNIDADES Para se manterem competitivas, companhias privadas buscam am- pliar negócios com empresas e tra- dings fora do sistema Petrobras. É o caso da Flumar, que atua no trans- porte e armazenagem de líquidos a granel. A empresa do grupo no- rueguês Odfjell tem, no Brasil, cin- co navios, sendo três para cabota- gem – um afretado à Transpetro e outro dedicado ao longo curso. Ao Volume transportado de petróleo e derivados aumentou 11% entre janeiro e abril, na comparação com 2019

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