Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 11 C om uma matriz energéti- ca majoritariamente limpa e um histórico de inicia- tivas de desenvolvimento de combustíveis mais sustentáveis com o etanol e o biodiesel, o Bra- sil se prepara para a segunda gera- ção de biocombustíveis com des- taque para o diesel verde, também conhecido como diesel renovável, HVO (HydrotreatedVegetableOil) ou diesel parafínico renovável. Em julho, a Petrobras anunciou a realização de testes em escala in- dustrial para a produção do diesel renovável, na Repar (PR), com o processamento de dois milhões de litros de óleo de soja, e produzindo 40 milhões de litros de óleo diesel com conteúdo renovável. De acordo com Ricardo Rodri- gues, especialista em desenvolvi- mento de novos produtos da Pe- trobras, a necessidade de reduzir emissões leva o mercado a bus- car fontes limpas de energia. “É o produto [HVO] que mais cres- ce na Europa e o terceiro biocom- bustível mais usado no mundo. No Brasil estamos chegando nos mesmos limites e restrições de emissão da Europa”. Para Rodrigues, o diesel verde é a solução para o país atender as futuras metas do Renovabio em razão de sua rota tecnológica. “A gente não pode seguir o que está planejado no Renovabio só com o biodiesel, que não permite que novas tecnologias atendam esses limites de emissão. Como na Eu- ropa, o diesel renovável é uma so- lução para isso”. O teste serviu para adequar os parâmetros de operação em maior escala e sinalizar para o mercado que já é possível a produção em es- cala comercial por parte das refina- rias. Para a produção inicial as re- finarias dariam conta do volume, mas para ampliar a oferta futura o ideal, segundo Rodrigues, é cons- truir uma planta dedicada ao die- sel verde nas unidades de refino. O combustível testado é a evolução de processos da tecnologia patenteada pela Petrobras, em 2006, utilizando óleos vegetais, o HBIO, e teve inves- timentos de R$ 3,4 milhões no de- senvolvimento da pesquisa. O MME vem trabalhando jun- to à ANP na especificação do novo biocombustível - no momento es- tá em consulta pública pela agência reguladora, e aposta na maturação do mercado de Créditos de Descar- bonização (CBIOs) para estimular o desenvolvimento do diesel reno- vável. “A Petrobras informou ao MME que o diesel verde terá um custo maior. Mas uma unidade de produ- ção de diesel verde vai poder emitir uma quantidade maior de CBIOs. A empresa terá mais receita por ter maior quantidade de crédito pa- A Mercedes-Benz planeja utilizar o diesel verde em ônibus, inicialmente na frota de São Paulo
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