Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
12 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 BIOCOMBUSTÍVEIS ra venda. Isso é um grande incen- tivo para que esse mercado comece a andar. Com a comercialização dos CBIOs na B3, é possível fomentar a entrada de novas tecnologias como o HVO e dar mais competitivida- de”, explica Paulo Costa, coordena- dor de biocombustíveis do MME. O setor produtivo também aguarda a definição do marco re- gulatório para a criação de um am- biente competitivo que possibili- te o crescimento do mercado de biocombustíveis avançados com o HVO e SPK (SyntheticParaffi- nicKerosene), querosene de avia- ção renovável. Erasmo Carlos Bat- tistella, presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), aposta na ins- talação de plantas exclusivas para HVO, indo além do processo de co- produção da Petrobras, que utiliza óleo vegetal com mineral. “Essa técnica é usada em vários países. Defendemos algo maior pa- ra o Brasil, ter as indústrias especí- ficas para a produção de biocom- bustíveis. Precisamos ter novos in- vestimentos nos avançados HVO e SPK que geram subprodutos como a nafta e, a partir destes outros pro- dutos”. O executivo é ainda fundador da BSBios, uma produtora de bio- diesel, e mais recentemente criou o grupo ECB, que tem como princi- pal projeto a implantação de uma unidade produtora de HVO no Pa- raguai, voltada para exportação. Batizado de Ômega Green, o proje- to de US$ 800 milhões tem previsão de iniciar as operações no segundo semestre de 2023, processando 20 mil barris/dia de matéria-prima com produção de 800 mil tonela- das/ano. “Já fechamos os contra- tos de venda da produção dos cinco primeiros anos. Isso mostra que há demanda por HVO e SPK”, ressalta Battistella. Caso o marco regulatório seja concluído em 2021, Battistella acre- dita que a partir de 2025 o Brasil te- rá plantas de HVO, já que os pro- jetos levam em média quatro anos para ficar prontos. “Vai depender da pauta do governo. Temos todas as condições para fazer. Podemos usar o HVO em qualquer percen- tual, de 1 a 100%. É uma molécula super nobre que acredito será mui- to importante para o crescimento dos biocombustíveis nos próximos 30, 40 anos”. O setor automotivo também se prepara para a chegada do HVO. A Mercedes-Benz tem planos para utilizar o biocombustível nos ôni- bus, inicialmente atendendo a frota da cidade de São Paulo, que tem co- mo meta reduzir a zero as emissões de carbono até 2037. Segundo Orlando Zibini, en- genheiro de produto ônibus da Mercedes-Benz, a empresa po- de usar o combustível em 100% da frota com motores diesel, mas veículos rodando com diesel ver- de são esperados somente três anos após a regulamentação da ANP. “O HVO funciona em qual- quer motorização a diesel, polui menos, não precisa de grandes investimentos na produção. Co- mo é um gêmeo do diesel tradi- cional, não precisa fazer nenhu- ma alteração nos motores. Talvez ajustes de software após a regula- mentação”. Para Claudia Santos, sócia da consultoria em biocombustíveis Glinovatec, o HVO e o biodiesel competirão em um primeiro mo- mento pela mesma matéria-pri- ma, especialmente o óleo de so- ja, mas em médio prazo tendem a encontrar um equilíbrio e adotar outras soluções. Uma solução se- ria usar a glicerina, que poderia ser introduzida aos poucos para não atrapalhar os produtores do óleo de soja. Segundo a consultora, atual- mente a produção de biodiesel gera 10% de glicerina como pas- sivo ambiental. A utilização da glicerina no HVO resolveria essa questão e poderia reduzir cus- tos, já que é mais barata que o óleo de soja. Santos acredita que a rota da coprodução do HVO, nas unidades de refinos atuais, deve sair na frente na comercia- lização pela expertise da Petro- bras, mas após consolidação do mercado outras rotas de diesel verde devem coexistir. n HVO e Biodiesel competirão pela soja em um primeiro momento, mas há solução para isso com o uso de glicerina
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