Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020

Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 15 A atenção domercadomun- dial de FPSOs se volta,mais uma vez, para o Brasil. Em meio à crise do preço do barril e da pandemia de covid-19, a Petrobras se consolida como a gran- de contratante do momento, com a aprovação de megalicitações para contratar as plataformas Almirante Tamandaré, P-78 e P-79, destinadas ao campo de Búzios. Os contratos movimentarão montantes entre US$ 4,8 bilhões e US$ 6 bilhões cada um. Voltados a dois projetos de EPC ( Engineering, Procurement and Construction ) e um de afretamento (no caso do Al- mirante Tamandaré), as concor- rências já mobilizam operadoras de FPSOs, estaleiros estrangeiros e na- cionais e empresas de engenharia. Diante do porte e dos desafios dos projetos, a tendência é que as empresas convidadas optem por formar consórcios para disputar os contratos de construção. Já a briga pela unidade afretada tende a ficar restrita à SBM e à Modec, tendo em vista o tamanho da planta de produ- ção, de 225 mil barris/dia – a maior já solicitada em licitações no Brasil. Nos últimos meses, fornecedo- res amargaram o engavetamento de planos de retomada do crescimento mundo afora. Com poucas opor- tunidades na praça, as concorrên- cias da Petrobras atrairão disputas acirradas, protagonizadas por gru- pos de grande porte. CENÁRIO DO EPC O edital do processo turn-key da P-78 e P-79 foi lançado em agosto. A corrida pelos contratos de cons- trução dos FPSOs próprios deve atrair não somente os epecistas ha- bilitados na qualificação prévia fei- ta pela Petrobras (Brasfels, Daewoo Shipbuilding, EBR, Hyundai, Ke- ppel, Modec, Samsumg, SBM, Te- chnip e Toyo), como grupos que fi- caram de fora do trâmite formal. Pelas regras estabelecidas, não há impedimento para que as ha- bilitadas formem consórcios entre si, com outros grupos ou subcon- tratem outras companhias. Dian- te disso, ganha força uma possível participação direta ou indireta da Saipem — empresa com declara- da predileção pelo modelo de cons- trução e que não foi habilitada no processo da Petrobras –, além de estaleiros chineses, que sequer che- garam a ser convidados pela estatal, aparentemente por não terem ex- periência comprovada na constru- ção integral de novos FPSOs. Especialistas avaliam que esta- leiros estrangeiros optarão por par- ticipar consorciados. Ainda que os estaleiros do exterior habilitados pertençam a grupos mundiais gi- gantes e estejam acostumados a executar projetos de grande porte, deve prevalecer a ideia de que é im- portante a associação com empre- sas que tenham experiência de ges- tão de contratos com a Petrobras. Apesar da escassez de novos ne- gócios, a expectativa é que nem to- das as empresas qualificadas apre- sentarão proposta. Como os con- tratos de construção não contem- plarão o serviço de operação dos FPSOs, a SBM e a Modec não de- vem participar da licitação, optan- do por guardar munição para a li- citação do afretamento. A maior parte das operadoras de FPSO considera que contratos de construção no modelo turn-key têm valor agregado muito baixo, o que afeta a atratividade do negó- cio. Na prática, o custo do estalei- ro torna-se muito mais relevante, enquanto, sob o modelo de afreta- mento, ainda que haja a subcontra- tação dos estaleiros, o valor agrega- do dos contratos reside no finan- ciamento e operação. FAVORITOS E DESAFIOS Com instalações ociosas, estalei- ros sul-coreanos devem entrar com Especialistas não têm grandes expectativas de que a integração e a montagem dos FPSOs sejam executadas no Brasil

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