Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
16 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 CONSTRUÇÃO NAVAL E OFFSHORE apetite nas licitações. Desde que os chineses entraram na construção de FPSOs, Samsung, Hyundai e Da- ewoo viram suas encomendas min- guarem, na medida em que a SBM e a Modec passaram a concentrar suas obras no grupo Cosco, atraídas por preços expressivamente menores. Os holofotes se voltam também ao Keppel. Há quem acredite que o estaleiro de Cingapura possa levar vantagem, principalmente se deci- dir participar associado ao Brasfels, em Angra dos Reis (RJ). Entre outros fortes candidatos estão a Technip e o EBR, que po- deriam montar parceria com esta- leiros do exterior, inclusive com al- guns dos conglomerados chineses. O patamar de preço ofertado para cada FPSO próprio deve va- riar entre US$ 1,6 bilhão e US$ 2,5 bilhões. Valores acima do patamar de US$ 2 bilhões devem, contudo, ficar automaticamente fora da dis- puta, extrapolando os indicadores da Petrobras. Especialistas consultados pela Brasil Energia não têm grandes ex- pectativas de que a fase de integra- ção e montagem dos FPSOs venha a ser executada no Brasil. Os estaleiros brasileiros devem assegurar apenas a construção de alguns módulos que serão instalados no exterior. A única possibilidade de reversão desse qua- dro seria em cenário com o Keppel se associando ao Brasfels. As unidades requeridas pela Pe- trobras no processo do EPC são bastante semelhantes aos FPSOs de Mero 2 e Mero 3. Cada unida- de será equipada com uma planta de produção para 180 mil barris/ dia e compressão de 7,2 MMm³/dia de gás, tendo mais de 30 mil t de topside . CONTRATAÇÃO DIFERENCIADA O modelo de contratação da P-78 e P-79 é totalmente diferente dos referentes aos FPSOs replican- tes (P-66 a P-71) e da cessão one- rosa (P-74 a P-77). Enquanto, na licitação atual, a petroleira optou por ter um único contratado para a unidade, exigindo a construção de um casco novo, nos replicantes o projeto foi todo repartido. Nas unidades da cessão, embora o esco- po contemplasse todos os módulos e integração a cargo da contratada, os cascos foram feitos a partir de conversões já pré-selecionadas. O formato atual da licitação ser- virá de teste a futuros projetos de novas unidades de produção. De- pois de um jejum de anos, a Petro- bras retoma a contratação de uni- dades próprias, na tentativa de me- lhor equilibrar sua frota e evitar eventuais problemas futuros. Os últimos negócios feitos pela petroleira com escopo mais pareci- do com o de agora foram direcio- nados à P-57, originalmente con- tratada com a Modec, e à P-63, que ficou a cargo da BW Offshore. Os dois contratos foram fechados sob o modelo de BOT. Há também o fato de o cenário atual do setor ser totalmente dife- rente do momento em que as últi- mas unidades próprias foram cons- truídas. De lá para cá, diversas em- presas ficaram pelo caminho, seja pela crise do setor ou pelos escân- dalos revelados pela Operação La- va Jato. OPÇÃO DA SEGUNDA A grande dúvida do mercado em relação ao EPC é se algum dos epecistas terá fôlego e apetite para arrematar dois FPSOs. De acordo com as regras do edital, as empre- sas terão que indicar, na propos- ta apresentada para a P-78, se têm interesse na segunda unidade de Búzios, cujo preço será fixado em 92,6% do valor da oferta apresen- tada para o primeiro FPSO. O prazo entre a entrega da P-78 e da P-79 poderá oscilar entre seismeses e nove meses, sendo que ambas terão de entrar em operação em 2025. Diante da escassez de dinheiro no mercado e da perspectiva de o projeto ter fluxo de caixa negativo, executivos do segmento acreditam ser pequena a probabilidade de al- gum epecista optar por construir as duas unidades quase que simul- taneamente. Projeções prelimina- res indicam que a defasagem entre os desembolsos feitos pela empresa vencedora e os pagamentos execu- tados pela Petrobras pode atingir o patamar de centenas de milhões de dólares por plataforma. Caso a empresa vencedora da P-78 não indique interesse pela segunda unidade, a Petrobras irá acionar o segundo colocado na li- citação para garantir a contratação da P-79. A tendência nessa situação O Estaleiro Brasfels (RJ) tem chances na disputa pelas obras, caso a Keppel Fels decida se associar ao brasileiro nas licitações
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