Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 17 é que a comissão de licitação ten- te assegurar renegociação de preço, visando garantir valor mais próxi- mos do primeiro colocado. Outro ponto de incerteza reside no fato de a maior parte dos gru- pos habilitados não ter experiência com projetos de engenharia elabo- rados pela Petrobras. Em tempos de pós-Lava-Jato e sem espaço pa- ra futuras renegociações, o projeto terá de ser conduzido na ponta do lápis. A petroleira não poderá fazer ajustes em seu projeto de engenha- ria, e a empresa vencedora não terá espaço para erros na cotação. A entrega de propostas foi mar- cada para o dia 18 de dezembro, mas, com a pandemia da covid-19 ainda afetando o dia a dia de empre- sas e estaleiros do Brasil e do exte- rior, o prazo tende a ser estendido. AFRETAMENTO EM FOCO Até o fechamento desta repor- tagem, a Petrobras ainda não ha- via liberado o edital para afreta- mento do Almirante Tamanda- ré, tendo disponibilizado apenas uma RFI ( Request for Informa- tion ) enxuta, sem maiores infor- mações técnicas do projeto. O do- cumento foi encaminhado à SBM, Modec, Saipem e Misc Berhad, entre outras empresas. Programado para produzir 225 mil bopd e comprimir 12 milhões de m3/d de gás, o sexto FPSO de Búzios entrará em operação no se- gundo semestre de 2024. O edital deve ser lançado até setembro. Diante do porte do FPSO requi- sitado e do grau de pioneirismo do projeto, as ofertas devem extrapolar em muito o valor médio praticado nas licitações da Petrobras, inaugu- rando o patamar de US$ 1 milhão, ante a média de US$ 800 mil para as unidades com capacidade entre 150 mil barris/dia a 180 mil barris/dia. Há quem estime que algumas taxas diárias poderão atingir va- lores de US$ 1,4 milhão a US$ 1,5 milhão. A certeza é que o negócio será para empresas de grande por- te, que estejam com boa saúde fi- nanceira e tenham alta capacidade de execução. No mercado, prevale- ce a avaliação de que apenas SBM e Modec terão fôlego. A operadora japonesa carrega a seu favor o fato de ter ganho, re- centemente, a disputa do FPSO de 220 mil barris/dia da Equinor pa- ra o projeto de Bacalhau, no clus- ter de Santos, o que garante fami- liaridade com projetos de maior porte, ainda que a unidade esteja em fase de FEED (engenharia de pré-detalhamento). Já o grupo holandês tem a van- tagem de estar menos sobrecar- regado, com três FPSOs em cons- trução, sendo um para a Petrobras e dois para a ExxonMobil, ante os sete em fabricação pela Modec. A japonesa tem ainda no radar o se- gundo FPSO de Bacalhau, ainda não contratado, mas com previsão de início de operação para 2028. O Almirante Tamandaré não se- rá a maior unidade já contratada na indústria. Hoje, há no mundo uni- dades em operação com capacida- de para produzir 250 mil barris/dia e 300 mil barris/dia. Nenhuma, po- rém, tem a complexidade agregada do pré-sal, com gás contaminado e altos volumes de CO 2 . Com as novas unidades em con- tratação, o projeto de Búzios passa- rá a ter oito FPSOs. O campo da cessão onerosa já conta com qua- tro unidades em operação (P-74, P-75, P-76 e P-77), respondendo por mais de 20% da produção to- tal da Petrobras e mais de 30% da produção dos campos do pré-sal, além do FPSO Almirante Barroso, em construção pela Modec e pro- gramado para compor o módulo 5 do empreendimento. No momento, a Petrobras man- tém 46 FPSOS em carteira, soman- do-se as unidades em operação e as que estão em construção, além de três FSOs e um FPU. Do total da frota contratada, 27 unidades são afretadas e 23, próprias. n
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