Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020

20 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 DISTRIBUIÇÃO S e tudo correr tão bem com a abertura geral do merca- do livre quanto imaginam os mais otimistas, parce- la expressiva dos consumidores de energia, a partir de meados da dé- cada, já poderá começar a lidar com esse serviço público como faz hoje com pacotes de telefonia celu- lar. Só o tempo dirá se essa experi- ência será bem sucedida e trará sa- tisfação, levando em conta, em ter- mos de comparação, falhas histó- ricas incorrigíveis, impessoalidade e as intrincadas opções de planos oferecidas pelo segmento de comu- nicação móvel. O fato é que, para encantar po- tenciais consumidores recém-li- berados, deverá haver, inegavel- mente, atrativos chave como fa- cilidade, desburocratização e ra- pidez, associados a preços mais módicos. Algo com perfil bem di- ferente das tarifas cobradas atu- almente, com um peso cada vez maior sobre o bolso, já bastante afetado, da população. É de se imaginar que tudo po- derá ser resolvido na ponta dos dedos, inclusive mudar de forne- cedor de energia, por outro que ofereça mais vantagens, entre ou- tras possibilidades. Em tese, uma grande fatia de consumidores poderá deixar de ser cliente cativo de uma distribuido- ra que, ainda assim, com a separa- ção preconizada entre fio e energia, continuará cuidando da rede elé- trica para que o fornecimento siga confiável e com qualidade. As atuais concessionárias pode- rão, inclusive, oferecer os chama- dos serviços “além medidor” aos seus “ex-clientes” de energia, como forma de explorar oportunidades adicionais de receita, independen- tes, claro, da remuneração que con- tinuarão a fazer jus pela operação e manutenção dos sistemas, a conhe- cida “tarifa fio”. Contudo, nesse admirável mundo novo, uma outra fatia de consumidores não terá mui- ta opção a não ser permanecer comercialmente ligada a um no- vo ente a ser criado cujo nome é emblemático. O chamado supri- dor de última instância abriga- rá, ao que tudo indica, consumi- dores de baixa renda, os inadim- plentes, entre outros - afinal, POR UM FIO Abertura do mercado promete viabilizar novos modelos de negócios, não só para distribuidoras, mas muitas adaptações serão necessárias POR ANTONIO CARLOS SIL

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