Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 43 mo vender gasolina. É prejuízo pa- ra nós”, revela Nelson Ostanello, di- retor da trading Greenergy. Ostanello diz que a compra de novas cargas do combustível de- penderá de uma competição mais equilibrada no mercado nacional. “A gasolina vinda do exterior de- mora 30 a 45 dias para chegar ao país. A próxima decisão de compra se dará com um cenário mais claro, se a Petrobras vai seguir o PPI”. O presidente da Associação Bra- sileira dos Importadores de Com- bustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, já esperava aumento de custo da nova gasolina e reforça que a Petro- bras adota preços abaixo da parida- de, embora sem afirmar que a dife- rença atual seja em função da alte- ração da especificação. Existem ou- tros fatores na formação de preço que também impactam. Os impor- tadores de modo geral ficam acom- panhando o posicionamento da Pe- trobras e quando vêem que o preço está abaixo do PPI por um período muito longo, seguram a margem e aumentam o risco do negócio. Es- te cenário tende a reduzir o volume importado pelas tradings indepen- dentes. Atualmente, cerca de 17% da gasolina comercializada no país é importada. Responsável por 95% da gaso- lina produzida no país, a Petro- bras garante que o preço do com- bustível é definido apenas pela cotação no mercado internacio- nal e outras variáveis como va- lor do barril do petróleo, frete e câmbio. E que esses fatores po- dem variar e são mais influentes no preço do que o custo adicio- nal de especificação. Em relação ao impacto nas bombas, a estatal aposta que o ganho de rendimen- to de 5%, em média, proporcio- nado pela nova gasolina compen- sará uma eventual diferença no preço, porque o consumidor vai rodar mais quilômetros por litro. A companhia diz que é responsá- vel por apenas 30% do preço fi- nal da gasolina nos postos, sendo o restante da composição por tri- butos, preço do etanol adiciona- do e margens das distribuidoras e revendedores. A Petrobras já pro- duz a gasolina com o parâmetro mínimo RON (Research Octane Number) de 93 octanos, obriga- tório apenas em 2022. Para José Luiz Orlandi, diretor da consultoria Elo Energia e Lo- gística, uma disputa de preço nas bombas não deverá beneficiar os consumidores, por conta da falta de competitividade na distribui- ção. “O Brasil é muito concentra- do, são três companhias. Diria que a tendência é as distribuidoras ten- tarem capturar um pouco de mar- gem, mas não dá ainda para saber”. Se na bomba o preço deve ficar mais elevado, por outro lado, se- gundo ANP, refinadores e especia- listas do setor automotivo, o consu- midor deverá ser beneficiado com o melhor desempenho dos motores e aumento da autonomia dos veí- culos, com consequente redução no consumo. Segundo Rogério Freitas Gon- çalves, especialista em desenvolvi- mento de produtos da Petrobras, a estatal realizou testes em veícu- los com diferentes tecnologias que mostraram menor consumo. “Usa- mos duas gasolinas com densida- des distintas em veículos com tec- nologias diferentes e os resultados apontaram uma variação de consu- mo de 4 a 6%”. Para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Auto- motores (Anfavea) a versão atual da gasolina traz benefícios tanto para a indústria quanto para os motoristas, porque o combustível com melhor padrão de qualida- Refinaria de Petróleo Riograndense
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