Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020

44 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 COMBUSTÍVEIS de diminuirá possíveis folgas no processo de combustão na central eletrônica, aumentando a eficiên- cia. As vantagens para os carros que já estão no mercado são du- rabilidade do motor, vida útil do veículo, reduzindo a frequência de manutenções. Em relação aos automóveis novos, as montadoras precisarão apenas realizar peque- nos ajustes eletrônicos. Everton Lopes, especialista em tecnologia e inovação para energia a combustão da SAE Bra- sil (Sociedade de Engenheiros Automotivos) explica que a gaso- lina na bomba terá mais energia, autonomia e resistência, levando a uma combustão mais controla- da. “Nos motores modernos há um sensor que detecta essa com- bustão descontrolada. O parâ- metro mínimo RON de 92 octa- nos ajudará fazendo com que os motores trabalhem mais próxi- mos da forma como foram pro- jetados. Os antigos não sentirão tanta diferença”. A nova especificação aproxima a gasolina produzida no país da co- mercializada na Europa nos indica- dores de qualidade, diz Lopes, que destaca também as vantagens no lado ambiental. “No mercado eu- ropeu temos opções de RON 91, 95 e 98 disponíveis nas bombas. No Brasil teremos 93. E nós temos a vantagem dos 27% de etanol mis- turado, que ajuda a apoiar as metas de redução de CO2 da COP 21”. PRODUÇÃO Além da Petrobras que do- mina o mercado, refinadores privados e petroquímicas tam- bém produzirão a gasolina exi- gida pela ANP. Na Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR), uma das poucas plantas priva- das no país, o processamento do combustível dentro das novas especificações foi iniciado em 1º de agosto, segundo o diretor superintendente, Felipe Jorge. A planta instalada no Rio Grande do Sul possui produção peque- na em comparação à Petrobras, com aproximadamente 30000 m3/mês de gasolina comum e 500m3/mês da premium. A Braskem anunciou que tam- bém irá produzir a gasolina com as novas especificações. A petroquí- mica expande assim seu portfólio, focando em produtos com maior qualidade e eficiência. “Aumentar requisitos como octanagem e massa específica permitirá ao consumidor acesso a um combustível de maior desempenho e rendimento”, afir- mou Cirilo Vieira, diretor do Ne- gócio de Combustíveis da Braskem, em comunicado à imprensa. n O que mudou? A nova especificação altera três parâmetros da gasolina. O primeiro é a definição de uma massa específica mínima, garantindo mais ener- gia, menor consumo e maior autonomia. O segundo é o valor mínimo para a temperatura de destilação de 77 ºC que melhora o desempenho do motor e a dirigibilidade. O último especifíca novos limites para a octanagem. Antes da nova regulamentação, o padrão medido era o IAD (Índice antidetonante), uma média entre os parâmetros RON e MON (Motor Octane Num- ber) ambos livres, sem valores definidos, desde que o índice atingisse 87. Agora, a ANP estabeleceu um valor mínimo para o RON de 92 oc- tanos, e 93, a partir de 1º de janeiro de 2022. O MON continua sem in- dicador mínimo. A octanagem é a medida da capacidade do motor resistir à detona- ção durante a queima do combustível. A maior capacidade do combus- tível ser comprimido a altas temperaturas garante o melhor funciona- mento do motor, inibindo a ocorrência de falhas durante a detonação, segundo a ANP. Para distribuidoras e revendedores de combustíveis haverá um pra- zo de 60 e 90 dias, respectivamente, para a comercialização de todo o volume ainda armazenado da gasolina com as antigas características. Segundo a agência reguladora, as mudanças darão mais qualidade à gasolina brasileira, com melhor eficiência energética que proporciona- rá maior autonomia aos veículos, com a redução do consumo por litro. As alterações visam atender atuais requisitos de consumo dos veículos e de níveis de emissões previstos dentro do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve) do governo federal.

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