Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 53 Segundo Rezende, estabelecer percentu- al mínimo com base na energia gerada es- timula o fornecedor a programar as paradas para inter- venções nas turbinas nas melhores “janelas” de vento, ou seja, quando a velocidade do vento é mais bai- xa e, portanto, com menor capaci- dade de geração. Já nos contratos com base em tempo, que estabele- ce o percentual mínimo de horas de disponibilidade das turbinas, essa preocupação em escolher o melhor momento para parar não existe. “Nesses casos o fornecedor pode parar em uma hora com ven- to favorável, já que o que ele preci- sa garantir é o percentual mínimo de tempo em operação”, explicou. Na Casa dos Ventos, a média de disponibilidade atingida é de 98% com base na geração de energia. Não atingir o percentual acordado sujeita o fornecedor a penalidades. A preocupação em aproveitar melhor a capacidade dos aerogera- dores também fez a AES Tietê ter olhar mais criterioso com os con- tratos de O&M das turbinas eóli- cas do seu parque Alto Sertão II, de 386 MW, na Bahia, adquirido da Renova em 2017, e também fa- rá parte de replanejamento opera- cional do complexo Ventus, de 187 MW, no Rio Grande do Norte, re- cém-adquirido da J.Malucelli. A ideia central adotada após as aquisições, segundo disse à Brasil Energia o diretor de Desenvolvi- mento de Novos Negócios da AES Tietê, Bernardo Sacic, é avaliar o quanto é pos- sível deslocar da operação local para a operação remota no cen- tro operacional de Bauru (SP), a fim de otimizar não só o BoP , onde o grupo acu- mula grande experiência com seus outros ativos hidrelétricos e tam- bém solares, como também o de- sempenho dos aerogeradores. Na estreia no setor eólico com o parque Alto Sertão II, de acor- do com o diretor de operações Anderson Oliveira, a empresa in- tensificou o controle das turbinas e conseguiu, principalmente por conta da supervisão remota on- line dos técnicos em Bauru, ele- var o nível de disponibilidade de tempo que no momento da aqui- sição era de 89% para os atuais 99%, diminuindo as paradas por falhas. Nesse parque, a GE, res- ponsável pelas turbinas, tem ape- nas contrato parcial, com manu- tenção preventiva e mão de obra, ficando a maior parte dos servi- ços, todo o BoP e maior parte das necessidades turbinas, nas mãos da AES Tietê. No Complexo Ventus, adquiri- do em agosto da J. Malucelli e que a AES deve assumir a operação em dois meses, depois das aprova- ções do Cade e trâmites burocrá- ticos, está prevista a mesma linha de atuação adotada no Alto Sertão II, ou seja, a de assumir o máximo do controle operacional e de ma- nutenção. Atualmente o contrato de O&M – que será assumido pela AES – é de full scope com a GE pa- ra as 112 turbinas de 1,67 MW GE (Alstom), com garantia de disponi- bilidade por tempo de 97%. Segundo Oliveira, a expectativa é conhecer bem a rotina de opera- ção e manutenção do complexo du- rante os próximos quatro anos, vis- to que o contrato com a GE se en- cerra em 2024. A partir daí a ideia é tomar a decisão de renegociar ou renovar o mesmo contrato. Ainda assim, para o diretor, a maior tendência é ao fim desse período a AES já ter se apropria- do de boa parte dos serviços, não só da manutenção da infraestru- tura, o que naturalmente ocorrerá ao assumir os parques, mas tam- bém dos aerogeradores, dada a ex- periência com o Alto Sertão II. Is- so principalmente ao se levar em conta que o centro de operações Centro de operações da Voltalia: geradoras assumem serviços de monitoramento e manutenção estratégicos
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