Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
52 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 EÓLICA já com os novos proprietários, pa- ra o modelo integral ( full scope) e seus prazos foram alongados. Além de na época o setor não ter escala suficiente para tornar interessante a oferta de serviços full scope e de longo prazo dos fornecedores, Re- zende avalia que a cadeia de supri- mentos e de prestadores de serviços também não estava maduro como atualmente. No período de seus primei- ros investimentos, esse panora- ma fez a Casa dos Ventos desen- volver massa crítica para a gestão dos ativos. Isso resultou, para co- meçar, na adoção de equipes pró- prias para a manutenção da área de infraestrutura dos parques (a chamada BoP , balance of plant ), que engloba as redes, linhas e su- bestações dos complexos. Esse know-how no BoP é hoje utilizado na nova fase de inves- timentos, no Parque Folha Lar- ga Sul, na Bahia, de 151,2 MW e em operação total desde agos- to, e será também nos próximos projetos: o complexo Rio do Vento, de 504 MW, em implan- tação no RN, e os demais 900 MW de outros parques em ne- gociação e previstos para início de obras em 2021 e conclusão em 2023. “Alguns players ter- ceirizam a manutenção das áre- as do BoP , mas entendemos esse serviço como estratégico e pre- ferimos assumi-lo integralmen- te”, disse Rezende. Outra linha de atuação para desenvolver massa crítica pró- pria foi a criação de centro de operação remota em Fortaleza em 2014. Pelo centro, é possível monitorar não só os trabalhos da equipe própria responsável pe- la área de infraestrutura como também acompanhar o serviço de O&M prestado pelos fornece- dores das turbinas. Neste último caso, segundo Re- zende, com ferramentas de gestão desenvolvidas a partir de técnicas de machine learning , e a criação de uma área de engenharia de confia- bilidade e performance, a central consegue antecipar falhas na gera- ção em tempo real, avaliando o de- sempenho de cada aerogerador do parque, o que serve como super- visão do trabalho feito pelos con- tratados. “Isso melhora o resultado operacional”, diz. DISPONIBILIDADE A postura mais proativa no acompanhamento dos serviços de manutenção, de acordo com o diretor da Casa dos Ventos, in- fluenciou também na mudança de perfil dos contratos atuais e futuramente assinados para o O&M dos aerogeradores. Já no contrato de 20 anos com a Ves- tas, fornecedora das 36 turbinas de 4,2 MW do Parque Folha Lar- ga Sul, foi estipulada garantia de disponibilidade com base na energia, em vez do tradicional modelo que se baseia no tempo disponível de geração.
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