Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020
O país precisará de novos portos e terminais, em virtude do aumento da produção de petróleo estimada para os próximos anos. Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 73 Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), é a instalação portuária com o maior crescimento do volume de cargas em 2019, com 91% de au- mento, totalizando 19 milhões de t movimentadas. O complexo portuário e indus- trial é responsável por 25% de to- do petróleo exportado pelo Brasil. Em junho, a Açu Petróleo acertou com a Petrobras dobrar o volume de óleo movimentado em seu ter- minal, para até 100 milhões de bar- ris. Entre seus clientes estão ainda a Shell, Petrogal, Total, Equinor e Repsol. Também em junho a Porto do Açu Operações e o Oil Group as- sinaram um acordo para instalação de uma refinaria de US$ 300 mi- lhões com capacidade inicial de 20 mil barris/dia, podendo chegar até 50 mil barris/dia, e início de opera- ção previsto para 2024. A unidade de refino demandará maior movi- mentação portuária de óleo e deri- vados no Porto do Açu, onde tam- bém se desenvolve um projeto de tancagem onshore. LEILÕES E PROJETOS Para atender à demanda crescen- te, leilões de áreas greenfield e bro- wnfield para granéis líquidos estão programados pelo governo federal até 2021 nos portos de Itaqui (4), Santos e Maceió (2 cada), além de Vila do Conde, Outeiros, Paranaguá e Mucuripe (1 área cada). Entre 2017 e 2019, o governo federal licitou 14 áreas no Espíri- to Santo, Pará, Paraíba e São Pau- lo, arrecadando R$ 980 milhões e garantindo investimento de R$ 1,033 bilhão. Somente nos dois terminais em Santos são esperados aportes de R$ 1,4 bilhão em infraestrutura, enquanto, nas quatro áreas de Ita- qui (MA), outros R$ 500 milhões em investimentos, com acréscimo de 150 mil m³ de tancagem. Itaqui é um dos portos que for- mam o Arco Norte, conjunto de in- fraestruturas portuárias no norte do país de grande importância para o escoamento de granéis líquidos. Seus terminais movimentam ape- nas derivados, sobretudo impor- tados. Em 2019, foram movimen- tados 7,7 milhões de t, alta de 25% em comparação com 2018. “Somos um hub regional, com algumas vantagens: a loca- lização em relação aos principais mercados do Norte e Nordeste; a profundidade dos berços e a pro- ximidade com as rotas dos mer- cados de combustíveis: Golfo do México e Roterdã, na Holanda”, destacou Ted Lago, presidente do Porto de Itaqui. Os 19 m de ca- lado permitem o recebimento de navios de até 145 mil t. Ele conta que há planos de am- pliar a capacidade de armazena- mento de granéis líquidos de Ita- qui dos atuais 370 mil m³ para 600 mil m³ nos próximos dois anos. “Estamos concluindo a fase 2 do terminal da Ultracargo, que trará mais 100 mil m³ adicionais e, em julho, a Raízen inaugurou um no- vo terminal de 80 mil m³”, infor- mou o executivo. Há diversos projetos em cur- so de expansão de terminais de combustíveis já aprovados pela Antaq. Entre os exemplos estão a ampliação da do terminal da Ultracargo em Aratu (BA), e da infraestrutura de tancagem das empresas Decal e Pandenor no Porto de Suape (PE). CONCORRÊNCIA NÃO DIMENSIONADA Para Marcus D´Elia, diretor da Leggio Consultoria, o país precisa- rá de novos portos e terminais, em virtude do aumento da produção de petróleo estimada para os pró- ximos anos. “A agenda de leilões do gover- no é boa. Os portos precisam supe- rar gargalos. Mas há uma lacuna: a competição entre refinadores não está dimensionada”, alerta o con- sultor, lembrando que a entrada de novos operadores nas refinarias em desinvestimento da Petrobras pro- moverá a busca por soluções logís- ticas mais eficientes. D´Elia salienta que o plane- jamento deve integrar toda a ca- deia. “Tem de ser um processo lo- gístico, não só portuário. É preci- so olhar para a internalização dos produtos, com vias ferroviárias, por exemplo”. n
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